Ameaças de bomba obrigam voos na Europa a fazer pousos de emergência; o que se sabe

Um avião Airbus A320 da Aer Lingus é visto na base aérea militar de Evreux após o voo de Dublin para Roma ter sido desviado para a França devido a uma ameaça de bomba. Evreux, França, 5 de novembro de 2026. Voo de Dublin para Roma é desviado para base militar francesa após ameaça de bomba. Evreux, França, 4 de novembro de 2026.
Legenda da foto, Avião da Aer Lingus com destino a Roma precisou pousar na França devido a uma ameaça de bomba
    • Author, Gabriela Pomeroy
  • Published
  • Tempo de leitura: 5 min

Vários voos na Europa foram alvo de ameaças de bomba nesta quinta-feira (5/11) e alguns tiveram de ser desviados de seus destinos originais, segundo autoridades.

Caças escoltaram alguns aviões, e alguns voos foram desviados para outros aeroportos ou bases militares.

Não há relatos de que explosivos tenham sido encontrados.

Um Airbus A320 da Aer Lingus que partiu de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália, na manhã de quinta-feira emitiu um alerta de emergência, foi desviado e pousou na base aérea de Evreux, no norte da França.

Um comunicado da Aer Lingus confirmou que o voo EI402 "foi desviado para a Normandia (na França) nesta manhã como medida de segurança" e disse que "o voo pousou em segurança e a Aer Lingus trabalhará para reacomodar os passageiros em voos para seu destino final o mais rápido possível".

Enquanto isso, a companhia aérea finlandesa Finnair informou que houve uma ameaça de bomba em um de seus aviões que viajava de Helsinque para a capital italiana. A aeronave foi escoltada por caças da Força Aérea e pousou conforme previsto.

Na República Tcheca, a polícia afirma que foram recebidas ameaças de bomba em quatro voos com destino a Praga, e que os testes para detectar explosivos "tiveram resultados negativos".

Os episódios ocorrem poucos dias depois de oito voos europeus, incluindo dois que partiram do Reino Unido, terem sido alvo de supostas ameaças de bomba. Nenhum explosivo foi encontrado nos aviões após as buscas.

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A secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, disse que os voos em toda a Europa foram impactados por "ameaças falsas e maliciosas". Ela disse que o governo britânico "leva essas ameaças a sério, mas entendemos que são ameaças falsas e maliciosas".

Outros voos que relataram ameaças nesta quinta-feira incluem:

  • Aegean, de Tessalônica (Grécia) a Milão, pousou em Milão
  • Ryanair, do Porto a Milão, pousou em Milão
  • Aer Lingus, de Dublin a Roma, desviou para a base aérea de Évreux, na França
  • Finnair, de Helsinque a Roma, pousou em Roma
  • Wizz Air, de Milão a Bucareste, pousou em Bucareste
  • Wizz Air, de Milão a Varsóvia, desviado para Viena
  • LOT, de Varsóvia a Bruxelas, pousou em Bruxelas
  • Ryanair, de Copenhague a Sófia, pousou em Sófia
  • Ryanair, de Madri a Sófia, pousou em Sófia
  • Ryanair, de Londres a Sófia, desviado para Plovdiv

A Wizz Air afirma que seu voo de Milão a Varsóvia foi desviado para Viena "de acordo com os protocolos de segurança estabelecidos", acrescentando que outras companhias aéreas "também estavam recebendo ameaças".

Na terça-feira, também houve uma série de ameaças de bomba na Europa — com sete aviões revistados.

Dois partiram do Reino Unido: um saiu de Manchester e pousou em Múrcia, na Espanha, e o outro viajou do aeroporto de Heathrow, em Londres, para Varsóvia, na Polônia.

Dois voos da Ryanair — um que partiu de Dublin e outro de Lisboa — foram revistados após pousarem em Roma, depois de denúncias anônimas, mas nenhum explosivo foi encontrado, disseram à BBC fontes do aeroporto de Fiumicino, na cidade.

O governo britânico descreveu os episódios como "falsas ameaças mal-intencionadas".

Na segunda-feira, um voo da Wizz Air que viajava do aeroporto de Luton, em Londres, para Sófia foi escoltado por um caça húngaro até Budapeste, na Hungria, após uma ameaça de bomba durante o voo.

Mais de 200 pessoas retiradas de voo

Quase 200 passageiros foram retirados de um voo da Wizz Air que ia de Milão a Bucareste após uma ameaça de bomba.

O voo WMT3064 pousou em segurança no Aeroporto Internacional Henri Coandă, em Bucareste, às 11h08, no horário local.

Autoridades aeroportuárias disseram que os passageiros haviam sido retirados e que procedimentos de emergência tinham sido acionados em cooperação com instituições do Estado.

"Os passageiros desembarcaram. O aeroporto adotou as medidas previstas nos protocolos para esses casos, em cooperação com instituições do Estado."

"Uma unidade de gestão de crise está sendo criada, e procedimentos específicos para essas situações estão sendo implementados", disseram representantes do aeroporto à BBC.

Uma equipe especializada em desativação de explosivos do Serviço de Inteligência da Romênia (SRI) está inspecionando a aeronave.

A Companhia Nacional de Aeroportos de Bucareste informou que o tráfego aéreo estava operando com segurança e sem interrupções, com os voos seguindo os horários previstos.

Alto custo para companhias aéreas

Logotipos da Aer Lingus em aeronaves paradas, pintura nas caudas, aviões da Aer Lingus estacionados. 2010. Foto de arquivo.

Um especialista em segurança da aviação disse à BBC que as ameaças de bomba desta semana "muito provavelmente são falsas, mas o sistema está certo em tratá-las como reais".

Marco Chan, professor de operações de aviação na Universidade de Kingston e ex-piloto da Cathay Pacific, diz que alguns especialistas veem as falsas ameaças como "possivelmente parte de um padrão de ações de baixo custo para perturbar o transporte aéreo, cuja autoria pode ser negada".

Ele acrescenta que "ondas de falsas ameaças também podem partir de pessoas que imitam outras ações ou de um pequeno grupo de indivíduos", mas que "três dias de incidentes são uma amostra pequena demais para distinguir uma ação coordenada de uma onda de imitação".

Chan afirma que o "custo para quem faz a ameaça é quase zero", em comparação com o impacto significativo sobre companhias aéreas, aeroportos e forças aéreas.

"Essa assimetria é o objetivo da tática, seja qual for a motivação."

No caso do voo da Aer Lingus desta manhã, que foi desviado para um aeródromo militar no norte da França, Chan diz que o "desvio, a escolta e o isolamento" em uma instalação militar mostram o "alto custo dos alarmes falsos para evitar que um único ataque passe despercebido".