Como o Rio Grande do Sul foi de reduto da esquerda a bastião do agronegócio

Como o Rio Grande do Sul foi de reduto da esquerda a bastião do agronegócio
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O Rio Grande do Sul já foi um dos principais redutos da esquerda no Brasil. O PT governou Porto Alegre por 16 anos seguidos e conquistou o governo estadual antes de Luiz Inácio Lula da Silva virar presidente.

Também foi no Estado que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizou sua primeira grande mobilização: a ocupação da Fazenda Annoni, em 1985.

Décadas depois, o cenário mudou. Jair Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado no Estado em 2018 e 2022. Em 2026, seu filho Flávio Bolsonaro (PL) também liderou a votação, vencendo em Ronda Alta e Pontão, municípios ligados à origem do MST onde o PT não perdia no primeiro turno presidencial desde 1989.

Os jornalistas João Fellet e Felix Lima, da BBC News Brasil, visitaram a região para investigar essa transformação. Em uma área marcada pela luta pela reforma agrária, cresce a identificação de moradores com o agronegócio e a direita.

“O agro é mais bolsonarista? Sim. Por quê? Simples. O governo do Bolsonaro apoiava o agro”, diz Luis Fernando Costa Nunes, vereador do PL em Pontão e filho de pequenos agricultores.

Apesar do avanço conservador, cooperativas ligadas ao MST prosperam na região e são referência para o movimento. Nelas, muitos jovens permanecem no campo graças às oportunidades de trabalho e às condições de vida nos assentamentos.

Isaías Vedovatto, pioneiro do MST em Pontão, vê o avanço do bolsonarismo como ameaça às conquistas do movimento, mas afirma que o grupo “tem condições de sobreviver” e oferece uma alternativa baseada na “coletividade, solidariedade e qualidade de vida”.

Confira a reportagem no vídeo.