AO VIVO , Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise de um dos maiores bancos do país, que congelou dinheiro de milhões; siga

O político do Partido Colorado e aliado de Trump anunciou nesta quinta-feira (5/11) que deixará o cargo em resposta à crise de solvência do banco digital Ueno, que levou ao bloqueio de recursos públicos e das economias de cidadãos e derrubou presidente do Banco Central.

Pontos-chave

  • Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5/11);
  • Anúncio veio em resposta à crise de solvência do banco digital Ueno que levou ao congelamento de recursos públicos e da economia de milhões;
  • 4 pontos para entender a crise de banco no Paraguai que derrubou o presidente Santiago Peña
  • O Ueno Bank é um dos principais bancos do Paraguai e, segundo dados da própria instituição, tem 60% da população adulta do país entre seus clientes.

Cobertura ao Vivo

Por Pedro Martins, Iara Diniz, Vitor Tavares, Rafael Barifouse e Felipe Corazza, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo

  1. A relação de Peña com Trump

    Alinhado ao governo de Donald Trump, Santiago Peña elogiou o presidente americano em uma reunião do Escudo das Américas, horas depois da Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York.

    "Permita-me parabenizá-lo, porque acho que o senhor bateu um recorde mundial: não acredito que tenha havido um presidente americano que tenha se reunido tantas vezes com presidentes do hemisfério ocidental", disse.

    O Escudo das Américas surgiu em março como uma coalizão de Washington com governos da região politicamente próximos para combater o crime organizado.

    Neste mesmo mês, Peña assinou um polêmico acordo que autoriza a presença de militares e empresas americanas no país para combater o crime organizado. Para alguns, tratava-se de uma "obrigação estratégica". Para outros, de uma "ingerência direta" dos EUA no Paraguai.

    O convênio autorizou a presença temporária de pessoal civil e militar do Pentágono e de empresas americanas no Paraguai, para atividades relacionadas à entrada de veículos, treinamento e exercícios militares.

    A aprovação no Congresso gerou um debate acalorado, que dividiu os legisladores e a opinião pública do país.

  2. Peña pede desculpas ao anunciar renúncia

    O presidente do Paraguai, Santiago Peña
    Legenda da foto, Santiago Peña em vídeo publicado nas redes sociais

    O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia em um vídeo publicado nas redes sociais.

    "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", afirmou.

    Ele disse que sua prioridade neste momento é "a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro".

    E acrescentou: "Quero pedir desculpas ao povo se falhei em algum momento. Nunca foi minha intenção frustrar a confiança que depositaram em mim".

  3. Câmara do Paraguai rejeita impeachment do vice-presidente

    A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta quinta-feira (5/11) o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país.

    A decisão foi tomada em meio à crise que levou à renúncia do presidente Santiago Peña, após o fechamento do banco digital Ueno.

    Foram 48 votos pela rejeição do impeachment de Alliana e 30 a favor.

    Segundo informações da imprensa paraguaia, a decisão abre caminho institucional para que Alliana assuma a Presidência da República assim que o Congresso Nacional aceitar formalmente a renúncia apresentada por Peña.

  4. Quem é o vice-presidente Pedro Alliana

    Pedro Alliana

    Pedro Alliana foi eleito vice-presidente do Paraguai na chapa de Santiago Peña nas eleições de 2023, com mandato que era previsto até 2028. Ele passou a ser o sucessor constitucional depois da renúncia do presidente nesta quinta-feira (5/11), mas a situação ainda é incerta.

    Alliana é filiado à Associação Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado. Ele iniciou sua carreira política em 2006 e foi eleito governador de Ñeembucú, um departamento do Paraguai, equivalente a estado no Brasil, em 2008.

    Posteriormente, Alliana exerceu três mandatos como deputado federal e presidiu a Câmara dos Deputados entre 2019 e 2022. Também comandou o Partido Colorado entre 2016 e 2023.

    Sua trajetória está associada à direita paraguaia: o Partido Colorado é tradicionalmente classificado como conservador, embora reúna diferentes correntes internas.

  5. Como surgiu o Ueno Bank

    As origens do Ueno remontam a 1976, com a fundação da Financeira El Comercio.

    Após 45 anos de atividade, a financeira foi adquirida pelo Grupo Vázquez, em abril de 2021. A operação recebeu autorização do Banco Central do Paraguai (BCP) em setembro daquele ano.

    Dois anos depois, a instituição obteve autorização para se transformar no Ueno Bank e ingressar no sistema bancário paraguaio.

    O banco recém-criado se consolidou em 2024, com a incorporação do Visión Banco. A operação acrescentou à sua carteira mais de 1 milhão de clientes, uma ampla rede de agências e uma das maiores bases de depósitos do sistema financeiro do Paraguai.

    Sede do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai
    Legenda da foto, Sede do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai

    O Ueno Bank ainda é controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, um dos maiores conglomerados empresariais e industriais do Paraguai.

    O grupo é presidido pelo empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, que se apresentou às autoridades judiciais na terça-feira, após a Promotoria ordenar sua prisão.

    Entre os detidos estão também Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank; Julio Rey Fernández, vice-presidente; Mariana Torres Rubiani, diretora titular; e os integrantes do conselho de administração Diego Duarte Schussmuller e Alejandro Gómez Abente.

    Também foram detidos Diana Leticia Mongelós González, segunda vice-presidente do banco, e Miguel Ángel Almada Frutos, executivo ligado à Ueno Seguros e ao Grupo Vázquez.

  6. O vínculo de Santiago Peña com o Ueno Bank

    O presidente do Paraguai, Santiago Peña
    Legenda da foto, Supostas ligações entre o presidente Santiago Peña e o Ueno Bank estão sob escrutínio público

    Santiago Peña foi eleito em abril 2023 para a Presidência do Paraguai.

    Até 2015, ele era um estranho na política nacional. Economista de formação, ele fez parte do Banco Central do Paraguai durante uma década, primeiro na área de Pesquisas Econômicas e depois como diretor.

    De direita, é alinhado ao presidente Donald Trump e já fez elogios públicos a ele.

    Peña figurava como acionista da Ueno Holding, que reúne empresas como a Ueno Seguros, a itti e o Grupo Vázquez, principal acionista do Ueno Bank.

    No início de 2025, o presidente afirmou que havia deixado de ser acionista da holding e negou qualquer ligação com o banco.

    "Eu fui investidor, sou economista, me especializei em Finanças e fiz um investimento há seis anos na empresa Credi Centro, que posteriormente se transformou na Ueno Holding. Nunca foi o banco Ueno. Não tenho nenhuma ligação com o banco Ueno", declarou a um grupo de jornalistas em abril de 2025.

  7. 'Caso Master do Paraguai'

    O caso passou a ser comparado, no Brasil, ao do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025 e que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

    As duas instituições tiveram crescimento acelerado, captaram recursos de fundos de previdência e enfrentaram questionamentos sobre operações financeiras e relações com o poder público.

    A crise do banco paraguaio ganhou novas proporções na quarta-feira (4/11), quando parlamentares da oposição intensificaram as tentativas de destituir Peña, a quem responsabilizam pelo colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas.

    Os opositores acusam o presidente de conflito de interesses, de permitir o uso indevido de fundos de pensão e de encobrir irregularidades na condução da crise bancária.

    Cadeiras do Congresso Nacional do Paraguai com cartazes pedindo impeachment
    Legenda da foto, O Congresso Nacional do Paraguai realizou uma sessão extraordinária para discutir um possível processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. Nas bancadas da oposição, cartazes traziam a mensagem "Impeachment já!"

    Nesta quinta-feira (5/11), a Câmara dos Deputados iria analisar o pedido de denúncia contra Peña e se daria início a um processo de impeachment por sua suposta responsabilidade no caso. Para que o processo avançasse ao Senado, seriam necessários dois terços dos votos dos deputados presentes.

    Em um revés para o atual presidente, Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai e líder do governista Partido Colorado, anunciou que a legenda apoiaria o impeachment.

    "Não estaremos do lado do desvio de recursos públicos, privados e dos fundos dos aposentados. Precisamos pensar nas pessoas e nos valores que defendemos no Partido Colorado. Apoiamos o impeachment do presidente da República, Santiago Peña, para restabelecer a institucionalidade do país", afirmou em comunicado.

  8. Como crise em banco se espalhou pelo governo

    O presidente Santiago Peña, do Paraguai
    Legenda da foto, O escândalo do Ueno Bank prejudicou a imagem do governo do presidente Santiago Peña

    A intervenção no Ueno Bank é o desfecho de um escândalo que tem marcado o governo do presidente Santiago Peña desde que ele assumiu o cargo, em 2023.

    Pouco depois de tomar posse, Peña nomeou Carlos Carvallo, então presidente-executivo do Ueno Bank, para comandar o Banco Central do Paraguai. A decisão foi criticada por pessoas que apontaram um conflito de interesses.

    Embora o Banco Central tenha afirmado que Carvallo não participou das decisões do órgão regulador sobre o banco de cuja diretoria havia feito parte, o próprio Carvallo anunciou nesta terça-feira (3/11) que havia assinado sua renúncia, mas permaneceria à frente da instituição até a conclusão do processo de resolução do Ueno Bank.

    Pouco depois do anúncio da intervenção e do bloqueio dos recursos dos clientes, veículos de imprensa paraguaios noticiaram a prisão de vários dirigentes do banco, entre eles Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez, ligado à instituição.

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    • 4 pontos para entender a crise de banco no Paraguai que derrubou o presidente Santiago Peña
  9. O que aconteceu com o Ueno Bank, que está no centro da crise paraguaia

    Policiais no Paraguai
    Legenda da foto, Vários dirigentes do Ueno Bank foram presos após a intervenção na instituição

    O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção do banco digital Ueno Bank após constatar que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido. A crise provocou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes.

    A decisão, anunciada na madrugada de terça-feira (3/11), foi tomada por unanimidade pela diretoria do Banco Central e levou à suspensão imediata de todos os serviços do Ueno Bank.

    Clientes do Ueno Bank relataram que não conseguiam realizar operações em caixas eletrônicos nem acessar os serviços bancários pela internet.

    O Ueno Bank administra mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões) em recursos públicos, incluindo aproximadamente US$ 380 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) investidos pelo Instituto de Previdência Social do Paraguai, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.

    O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa (cerca de R$ 211 mil), o que equivalente a 75 salários mínimos.

    Os clientes com depósitos superiores a esse limite terão de aguardar o balanço definitivo elaborado pela Superintendência de Bancos.

  10. Urgente, Presidente do Paraguai renuncia

    Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5/11).

    O anúncio veio em resposta à crise de solvência do banco digital Ueno, que levou ao congelamento de recursos públicos e da economia de milhões e derrubou o presidente do Banco Central do país.

    O Ueno Bank é um dos principais bancos do Paraguai e, segundo dados da própria instituição, tem 60% da população adulta do país entre seus clientes.

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