Quando sairão os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA?

- Author, Bernd Debusmann Jr
- Role, Repórter na Casa Branca
- Author, Deirdre Finnerty
- Published
- Tempo de leitura: 6 min
Milhões de americanos estão votando nas eleições de meio de mandato, as midterms, que moldarão o restante do mandato de Donald Trump. O resultado determinará qual partido — os republicanos de Trump ou os democratas da oposição — controlará o Congresso.
Após o fechamento das urnas, é possível que os resultados demorem horas, dias ou até mesmo semanas. Aqui está o que você precisa saber sobre a divulgação dos resultados.
- 📲 Novo app da BBC News Brasil: receba nossos alertas, vídeos e análises. Baixe aqui na Google Play Store (Android) e aqui na App Store (iOS).
Quando saberemos os resultados e quem controlará o Congresso?
O Congresso é composto por duas partes: a câmara baixa, a Câmara dos Representantes; e a câmara alta, o Senado.
Para conquistar a maioria na Câmara dos Representantes, um partido precisa de 218 cadeiras. No Senado, são necessários 51 assentos.
Mas, se o Senado estiver dividido meio a meio (50-50), o vice-presidente tem o voto de desempate, o que garante o controle da casa ao seu partido.
Os primeiros resultados começarão a ser divulgados após as 20h no horário de Brasília (fuso de todos os horários mencionados nesta reportagem). Eles não nos dirão muito sobre o resultado geral, pois as votações nesses lugares têm francos favoritos, tanto para os republicanos (Kentucky e Indiana) quanto para os democratas (Vermont).
Há várias disputas acirradas para o Senado em que as urnas fecharão mais tarde, como em Ohio (encerramento às 21h30) e no Maine (22h). Essas disputas podem fornecer melhores indícios do humor do eleitorado americano.
Veículos da imprensa vão projetar resultados — a partir de modelos matemáticos, mesmo sem a conclusão da contagem oficial de votos — em locais com disputas importantes.
Isso acontece quando os cálculos indicam que um partido ou candidato conquistou uma vantagem insuperável. Mas, em alguns Estados, com disputas acirradas, os veículos da imprensa podem demorar bastante para anunciar suas projeções.
Quando soubemos os resultados em 2022?
Em 2022, um dia após as eleições de meio de mandato, republicanos e democratas ainda estavam em uma disputa acirrada pelo controle do Congresso dos EUA, em 9 de novembro.
Embora os republicanos fossem os favoritos para vencer a Câmara dos Representantes, a disputa pelo Senado permanecia acirrada.
O quadro completo levou vários dias para se formar. A CBS News (parceira da BBC nos EUA) projetou que os republicanos haviam garantido as 218 cadeiras necessárias para a maioria na Câmara em 17 de novembro.
A apuração dos votos para o Senado em Nevada, uma disputa crucial, levou quatro dias. A apertada vitória dos democratas no Estado garantiu a eles 50 cadeiras, permitindo manter o controle do Senado, já que a então vice-presidente Kamala Harris tinha o voto de desempate.
A disputa para o Senado na Geórgia teve que ser decidida em um segundo turno, pois nenhum candidato ultrapassou a marca de 50%. Os resultados só ficaram disponíveis em 7 de dezembro, quando os democratas conquistaram essa vaga.
Quais são as principais disputas para acompanhar em 2026?

Crédito, Getty Images
Há seis disputas para o Senado consideradas indefinidas pela empresa independente de análise eleitoral Cook Political Report: Alasca, Kansas, Iowa, Maine, Ohio e Texas.
Pesquisas indicam que os democratas têm uma chance no Texas, onde o ex-professor James Talarico pode se tornar o primeiro democrata a conquistar uma vaga no Senado pelo Estado desde 1988, caso derrote Ken Paxton, atual procurador-geral do estado e aliado próximo de Trump.
Os democratas também precisam manter sua cadeira em Michigan, onde Abdul El-Sayed, um político de esquerda sem experiência na política, enfrenta o republicano Mike Rogers, aliado de Trump e ex-agente do FBI. O Estado foi inicialmente classificado como "indefinido" pelo Cook Political Report, mas foi reclassificado como "tendência democrata" na véspera da votação.
A atual maioria republicana na Câmara dos Representantes é pequena. Eles têm 218 representantes, mais um independente que vota com eles.
De acordo com o Cook Political Report, algumas das disputas que mais chamam a atenção estão na costa leste — entre elas, o 17º distrito de Nova York, o 8º distrito da Pensilvânia e o 1º distrito da Virgínia.
Quando as urnas fecham?

Crédito, Getty Images
Os resultados de uma pesquisa de boca de urna serão divulgados às 19h.
Em seguida, às 20h, as urnas fecham em Kentucky e Indiana. Depois disso, todas as atenções se voltarão para os principais Estados decisivos:
- 21h30 - As urnas fecham em Ohio, onde o senador republicano Jon Husted está praticamente empatado nas pesquisas com o democrata Sherrod Brown. Os resultados deste Estado podem nos dar uma pista de como a noite poderá se desenrolar.
- 22h - A votação termina na maior parte do Kansas, do Texas e do Maine — onde há uma acirrada disputa pelo Senado entre a republicana Susan Collins e o democrata Troy Jackson.
- 23h - As urnas fecham em Iowa, em partes do Kansas e do Texas. Nas horas seguintes, um panorama mais geral poderá começar a se formar.
- 03h da manhã de 04/11 - A votação termina no Alasca, o último Estado decisivo. A acirrada disputa pelo Senado entre a democrata Mary Peltola e o republicano Dan Sullivan, que busca a reeleição, ganhou destaque devido à inclusão de um segundo candidato, também chamado Dan Sullivan, na cédula eleitoral.
Como funciona a contagem de votos?
Cada Estado organiza suas eleições e tem suas próprias regras para contagem dos votos — com variações que envolvem desde a ordem como os votos são processados à participação de observadores partidários acompanhando a contagem.
Alguns Estados, como a Flórida, processam os votos antecipados antes do dia da eleição, enquanto outros só começam a apuração em 3 de novembro.
Os funcionários eleitorais locais verificam, processam e contam os votos individuais, num processo conhecido como apuração.
A maioria dos Estados exige uma auditoria pós-eleitoral que envolve a contagem manual dos votos, comparada com os totais das máquinas, embora as regras variem em todo o país.

Crédito, Bloomberg via Getty Images
O que pode causar um atraso?
Disputas acirradas tendem a levar mais tempo e a levantar a possibilidade de recontagens e contestações judiciais.
A contagem dos votos enviados antecipadamente por correio demora mais, pois as autoridades precisam processar os envelopes e verificar as assinaturas.
Mais de 30 Estados permitem que as cédulas sejam processadas antes do dia da eleição, mas outros não. Na Califórnia, todas as cédulas devem ser enviadas pelo correio antes ou no dia da eleição e ainda serão contabilizadas se chegarem em até sete dias após a eleição.
No Alasca, o sistema de votação por ordem de preferência faz com que a apuração dos votos normalmente demore mais do que em outras partes do país.
O que acontece se os resultados forem contestados?
Após todos os votos serem incluídos nos resultados finais e depois de etapas como a recontagem terem sido concluídas, os resultados são certificados — primeiro a nível local, no condado, e depois a nível estadual.
Em seguida, o governador normalmente assina as certificações dos candidatos vencedores para a Câmara e o Senado, que serão enviadas ao Congresso.
Os resultados podem ser contestados. Em disputas acirradas, os candidatos podem solicitar recontagens, e em alguns Estados elas são acionadas automaticamente se a diferença for pequena.
Os candidatos derrotados nas eleições para a Câmara e para o Senado podem apresentar contestações, com processos ligeiramente diferentes em cada uma das duas casas. Teoricamente, ambas as câmaras podem recusar a posse de alguém ou ordenar uma investigação.
Os candidatos também podem apresentar contestações judiciais às eleições, alegando irregularidades.
Quando os vencedores assumem o cargo?
Os membros do Congresso que deixarão o cargo terminam seus mandatos em 3 de janeiro, um domingo. Como essa data cai em um fim de semana, os novos membros podem assumir o cargo na mesma data, a menos que o Congresso aprove uma lei estabelecendo um dia diferente.
Com reportagem de James FitzGerald, Yazmina García-Fernández, Tom Geoghegan e Mike Hills.























