Major Olímpio é o 3º senador vítima da covid-19 no Brasil

    • Author, Rafael Barifouse
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
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  • Tempo de leitura: 5 min

O senador Major Olímpio (PSL-SP) morreu na quinta-feira (18/3) por causa de complicações de saúde causadas pela covid-19.

Um tuíte publicado na conta oficial do parlamentar informou que ele teve morte cerebral. "Por lei a família terá que aguardar 12 horas para confirmar o óbito e está verificando quais órgãos serão doados. Obrigado por tudo que fez por nós, pelo nosso Brasil", diz a publicação na rede social.

O parlamentar anunciou em 2 de março que havia sido diagnosticado com covid-19 e que estava em isolamento domiciliar.

Foi internado em um hospital em São Paulo no mesmo dia e, três dias depois, transferido para a UTI. A piora do seu estado de saúde fez com que ele fosse intubado duas vezes enquanto estava hospitalizado.

Olímpio foi eleito senador em 2018, como o mais votado em São Paulo. Antes disso, foi deputado federal e estadual.

Formou-se bacharel em ciências jurídicas e sociais e teve uma carreira de 29 anos na Polícia Militar de antes de entrar para a política, em 2006.

Tinha como principais pautas de sua atuação no Legislativo assuntos de violência, armamento e segurança pública,

O senador foi um dos coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro (sem partido) em São Paulo e um aguerrido defensor do presidente.

Mas os dois romperam após o governo federal se aproximar do Centrão e trabalhar contra uma CPI para investigar o comportamento de ministros dos tribunais superiores brasileiros, defendida por Olímpio.

Apesar das discordâncias com Bolsonaro, Major Olimpio também adotou o estilo negacionista do governo federal em relação à covid-19.

Semanas antes de ser internado e intubado, participou de uma manifestação em Bauru, no interior paulista, contra o fechamento obrigatório do comércio pelo poder local, que tentava controlar a escalada da pandemia.

Em seu gabinete, além dele, outros quatro assessores contraíram a doença ao mesmo tempo. Seu assessor de imprensa também está em estado grave.

Em seu lugar, assume o empresário Alexandre Luiz Giordano, de 48 anos.

Nascido em Presidente Venceslau, no interior paulista, o senador completaria 59 anos em 20 de março. Ele era casado e pai de dois filhos.

Hoje, há dois senadores afastados por causa da covid-19: Lasier Martins (Podemos-RS), de 78 anos, e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), de 45 anos.

Além de Major Olímpio, outros dois senadores já morreram por causa da covid-19.

Arolde de Oliveira (PSD-RJ)

Foi o primeiro senador em exercício a morrer por causa do novo coronavírus. O advogado Carlos Francisco Portinho (PSD), seu primeiro suplente, assumiu o cargo.

Oliveira também era fundador do grupo MK de Comunicação, dono de editora, rádio, gravadora e sites de notícias voltados para evangélicos. Foi casado com Yvelise de Oliveira, com quem teve dois filhos.

Durante a pandemia, Oliveira, um aliado de Bolsonaro, ficou conhecido por defender o uso da cloroquina (medicamento sem eficácia comprovada contra a covid-19).

Também disse que as medidas de isolamento social eram inúteis e questionou o perigo representado pelo Sars-Cov-2.

Morreu aos 83 anos por complicações da covid-19. Ele sofreu uma falência múltipla dos órgãos em 21 de outubro — estava internado desde setembro.

Oliveira era gaúcho de São Luiz Gonzaga, próximo da fronteira com a Argentina. Mas o parlamentar morava no Rio de Janeiro desde os anos 1960, quando estudou no Instituto Militar de Engenharia (IME). Também formou-se economista.

Tornou-se deputado federal em 1983, ao assumir a vaga de Álvaro do Vale, indicado para um cargo na embaixada do Brasil em Paris. Voltou a ser suplente um ano depois com o retorno de Vale ao país.

Mas ele conseguiu se eleger em 1986 para a Câmara, onde ficou por nove mandatos, de forma ininterrupta.

Foi um dos deputados que integrou a Assembleia Constituinte e um defensor das privatizações das telecomunicações — sua especialidade como engenheiro. Foi secretário de Transportes da cidade do Rio e secretário estadual de Trabalho.

Religioso e conservador, Oliveira estava em seu primeiro mandato como senador. Havia sido eleito em 2018 como o segundo mais votado, atrás só de Flávio Bolsonaro (Republicanos), filho mais velho do presidente.

José Maranhão (MDB-PB)

O senador paraibano morreu em 8 de fevereiro, após ficar internado por 71 dias. Ele tinha 87 anos e era o mais velho da atual legislatura.

José Maranhão foi diagnosticado no dia do segundo turno das eleições do ano passado. Depois de votar em João Pessoa, ele passou mal, foi levado para o hospital para fazer exames e acabou sendo hospitalizado com insuficiência respiratória.

Foi transferido para São Paulo no início de dezembro e não resistiu a uma pneumonia causada pelo coronavírus.

O senador nasceu em Aruana, onde foi enterrado. Era empresário e advogado. Começou sua carreira política como deputado estadual pelo PTB, em 1955. Em 1967, trocou de partido e filiou-se ao MDB, onde está até hoje.

Exerceu quatro mandatos seguidos na Assembleia Legislativa da Paraíba. Maranhão elegeu-se pela primeira vez para a Câmara, em 1983, e permaneceu no cargo por três legislaturas consecutivas. Foi um dos deputados que elaborou a Constituição Federal brasileira.

Foi eleito vice-governador da Paraíba e assumiu o posto em 1994 quando o ex-senador Antonio Mariz morreu. Reelegeu-se quatro anos depois.

Ele voltaria a ser governador em 2009, e mais uma vez de forma inesperada. O parlamentar havia ficado em segundo lugar nas eleições, mas assumiu depois de Cassio Cunha Lima, o ganhador, ser cassado.

Tentou novamente se reeleger, mas, desta vez, não conseguiu — e sofreu uma nova derrota em 2012 quando ficou em quarto na disputa pela prefeitura de João Pessoal. Ele disputou o governo da Paraíba uma última vez em 2018. Ficou em terceiro.

Maranhão estava em seu segundo mandato como senador. Foi eleito pela primeira vez em 2003 e voltou ao Senado em 2015. A deputada federal Nilda Gondim, sua colega de partido, assumiu em seu lugar.

O senador era casado com a desembargadora Maria de Fátima Bezerra. Tinha três filhos.

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