Redução de ônibus em São Paulo foi maior em áreas mais pobres da cidade
- Author, Luiz Fernando Toledo
- Role, Reporter, BBC Brasil
São Paulo teve cerca de um terço menos ônibus nas linhas no fim da manhã e início da tarde deste domingo (25), de segundo turno, do que nos mesmos horários de dois dias úteis da última semana.
No sábado (24), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti Machado, determinou que a cidade colocasse 100% da frota de ônibus do transporte coletivo praticada em dias úteis regulares.
Levantamento de Igor Novaes Lins, pesquisador de pós-doutorado no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), identificou uma média de 6.924 ônibus, contra 10.099 na quarta e na sexta-feira — redução de 31,4%, ou aproximadamente 3,2 mil veículos.
Lins registrou, minuto a minuto, as posições dos ônibus divulgadas pelo Olho Vivo, sistema de monitoramento por GPS da SPTrans.
A BBC News Brasil refez a comparação das médias horárias a partir da tabela fornecida pelo pesquisador e confirmou o percentual.
A quantidade de ônibus ficou praticamente no mesmo patamar do sábado. A Prefeitura havia anunciado uma operação equivalente à desse dia da semana, mas a Justiça Eleitoral determinou que disponibilizasse toda a frota praticada em dias úteis e mantivesse os ônibus passando com frequência semelhante à de segunda a sexta-feira.
Segundo o relatório de Lins, mesmo com um total de veículos semelhante ao do sábado, a presença de ônibus nas proximidades dos bairros diminuiu em 87 dos 96 distritos da capital.
A redução foi de pelo menos 20% em 27 distritos. Na Vila Curuçá, chegou a 35,7%; em São Miguel, a 33,8%; e no Jardim Ângela, a 30,8%. A queda também foi desigual entre as faixas de renda. Nas áreas que reúnem o quinto mais pobre da população, a presença de ônibus caiu 18,1% em relação ao sábado. No quinto mais rico, a redução foi de 10,6%.
O pesquisador cruzou os registros de transporte com os resultados do primeiro turno.
Entre os eleitores cadastrados em locais onde Lula alcançou pelo menos 60% da soma dos votos dele e de Flávio Bolsonaro, 42,8% estavam em endereços cujo entorno perdeu ao menos 20% da presença de ônibus. Nos locais em que Flávio superou Lula, a proporção foi de 29,7%.
A Prefeitura negou redução da oferta e afirmou que havia mais ônibus do que a demanda. A SPTrans alegou dificuldades para reorganizar as escalas após receber a determinação judicial na véspera.
Após denúncias de problemas no transporte de eleitores, o ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou a votação em duas horas, até as 19h.