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Trump diz que eleição no Brasil 'pareceu ter fraude', mas afirma gostar de Lula

Flávio Bolsonaro diz que vai "liderar oposição" e vai fazer ofensiva jurídica contra chapa Lula e Alckmin, que superou senador em 4,4 milhões de votos. PF requisita passaporte de filho de ex-presidente, que é alvo de investigações.

Cobertura ao Vivo

Por Iara Diniz, Marina Rossi, Vitor Tavares, Vinícius Mendes, Leandro Prazeres, Mariana Alvim, Thais Carrança, Shin Suzuki, Ian Alves e Rute Pina. Editado por Caio Quero, Flávia Marreiro, Felipe Corazza e Rafael Barifouse.

  1. Redução de ônibus em São Paulo foi maior em áreas mais pobres da cidade

      • Author, Luiz Fernando Toledo
      • Role, Reporter, BBC Brasil

    São Paulo teve cerca de um terço menos ônibus nas linhas no fim da manhã e início da tarde deste domingo (25), de segundo turno, do que nos mesmos horários de dois dias úteis da última semana.

    No sábado (24), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti Machado, determinou que a cidade colocasse 100% da frota de ônibus do transporte coletivo praticada em dias úteis regulares.

    Levantamento de Igor Novaes Lins, pesquisador de pós-doutorado no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), identificou uma média de 6.924 ônibus, contra 10.099 na quarta e na sexta-feira — redução de 31,4%, ou aproximadamente 3,2 mil veículos.

    Lins registrou, minuto a minuto, as posições dos ônibus divulgadas pelo Olho Vivo, sistema de monitoramento por GPS da SPTrans.

    A BBC News Brasil refez a comparação das médias horárias a partir da tabela fornecida pelo pesquisador e confirmou o percentual.

    A quantidade de ônibus ficou praticamente no mesmo patamar do sábado. A Prefeitura havia anunciado uma operação equivalente à desse dia da semana, mas a Justiça Eleitoral determinou que disponibilizasse toda a frota praticada em dias úteis e mantivesse os ônibus passando com frequência semelhante à de segunda a sexta-feira.

    Segundo o relatório de Lins, mesmo com um total de veículos semelhante ao do sábado, a presença de ônibus nas proximidades dos bairros diminuiu em 87 dos 96 distritos da capital.

    A redução foi de pelo menos 20% em 27 distritos. Na Vila Curuçá, chegou a 35,7%; em São Miguel, a 33,8%; e no Jardim Ângela, a 30,8%. A queda também foi desigual entre as faixas de renda. Nas áreas que reúnem o quinto mais pobre da população, a presença de ônibus caiu 18,1% em relação ao sábado. No quinto mais rico, a redução foi de 10,6%.

    O pesquisador cruzou os registros de transporte com os resultados do primeiro turno.

    Entre os eleitores cadastrados em locais onde Lula alcançou pelo menos 60% da soma dos votos dele e de Flávio Bolsonaro, 42,8% estavam em endereços cujo entorno perdeu ao menos 20% da presença de ônibus. Nos locais em que Flávio superou Lula, a proporção foi de 29,7%.

    A Prefeitura negou redução da oferta e afirmou que havia mais ônibus do que a demanda. A SPTrans alegou dificuldades para reorganizar as escalas após receber a determinação judicial na véspera.

    Após denúncias de problemas no transporte de eleitores, o ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou a votação em duas horas, até as 19h.

  2. Com 5% das urnas apuradas, Lula lidera com 51,13%

    O presidente Lula (PT) lidera a disputa presidencial com 5,23% das urnas apuradas no país. O petista tem 51,13% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) segue com 48,87%.

  3. No exterior, Lula tem 59,66% dos votos; Flávio, 40,34%

      • Author, Luiz Fernando Toledo
      • Role, Reporter, BBC Brasil

    Considerando apenas os 55 países e territórios com todas as seções disponíveis no exterior, Lula tem 141.263 votos (59,66%) e Flávio Bolsonaro, 95.499 (40,34%).

    O Japão foi o último a aparecer com cobertura completa nas consultas acompanhadas. Índia e Turquia estão excluídas dessa soma por ainda terem resultados parciais.

  4. 'A situação é dramática ', diz ex-ministra do TSE

    Luciana Lossio, ex-ministra do TSE, afirmou que ambas as campanhas, de Lula e Bolsonaro, podem questionar o resultado das eleições.

    "É muito dramático o que estamos vivendo, infelizmente. Eu não tenho notícias de isso ter acontecido antes", afirmou.

    "Pelo que nos estamos acompanhando, a situação é dramática e não tenho dúvida de que ambas as campanhas levarão esse questionamento à Justiça Eleitoral e ao STF. A campanha que se sentir mais prejudicada, o candidato que perder nas urnas, terá um prato cheio para questionar a legitimidade do processo eleitoral diante dessa insegurança jurídica que foi criada no dia de hoje."

  5. Segundo turno pode ser anulado, com nova eleição realizada entre 20 e 40 dias, dizem especialistas

    Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC News Brasil acreditam que o segundo turno da eleição presidencial pode ser anulado e, seguindo o Código Eleitoral, um novo pleito ser realizado entre 20 e 40 dias. Um membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), que pediu para não ser identificado, afirmou que a tendência é que isso, de fato, aconteça, porque a mudança no horário da votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou às seções eleitorais quando boa parte delas já estava fechada.

    Ele aponta dois artigos do Código Eleitoral para basear seu argumento: o 220 e o 224. O primeiro determina que a votação de uma seção é nula na ausência de uma mesa nomeada pela Justiça Eleitoral, quando é registrada em folhas falsas, quando não há sigilo garantido ou — no caso em questão —, quando "realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas".

    Já o artigo 224, por sua vez, define que se essas nulidades afetarem "mais da metade dos votos no país", o pleito será considerado integralmente prejudicado e "o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias". "Foi o que aconteceu", explica ele. "As urnas só podem ser travadas pelos mesários após às 17h. Porém, com a decisão do STF, se eles fecharam as urnas antes das 19h, eles desrespeitaram a regra do horário de votação".

    Ou seja, feriram o artigo 220 do Código Eleitoral. "Considerando que a decisão afetou o Brasil inteiro", continua ele, citando o texto da liminar de Zanin, "a lei, em tese, determinará a anulação".

    O magistrado se valeu da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013, de outubro de 2023, para validar sua decisão. Ele reagiu à Reclamação Constitucional (RC) 101.673, da campanha petista, que apontou falta de transporte público nos municípios de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. No texto, ele afirma que o STF tomou conhecimento dos relatos da falta de transporte público em cidades da Bahia às 16h32 e que, "diante da urgência evidente na medida", prorrogou a decisão até às 19h em todas as seções do Brasil.

    Na visão do especialista, a decisão mais lógica é que o segundo turno seja anulado, com a nova eleição dentro do prazo estabelecido, porque, independentemente de quem ganhar, a campanha perdedora tentará cancelar o resultado.

    "Será traumático para o país, mas reconhecer o resultado desse pleito também será. Teremos que escolher qual será o trauma que vamos viver". Já o advogado Horácio Neiva, por sua vez, até corrobora o argumento, lembrando que "qualquer alteração drástica no pleito, sobretudo no dia da eleição, gera grande insegurança jurídica". Porém, há a questão da previsão jurídica, porque o Tribunal Superior Eleitoral [TSE] está submetido ao STF.

    Em tese, só o Supremo pode tomar a decisão de anular a eleição e, para fazer isso, ele precisará reconhecer que a decisão que ele mesmo tomou, por intermédio de Zanin, causou o erro que justifica a anulação. Não sei se é provável que isso aconteça".

  6. 'Tentei muito', diz eleitora de Salvador que chegou à seção antes das 19h após dia aguardando ônibus

    Por Julia Braun, da BBC News Brasil

    Taynan Carvalho de Sá, 38 anos, mora em Salvador e após ter passado o dia todo aguardando por ônibus para se deslocar até sua seção eleitoral, foi impedida de votar quando chegou ao local por volta das 18h20 deste domingo (25/10).

    A enfermeira disse ter passado o dia esperando o ônibus passar próximo à sua casa em Boca do Rio, na região da orla central da cidade.

    “Fiquei desde as 8 da manhã tentando chegar ao meu local de votação”, contou a eleitora que vota no Colégio Estadual Vitor Soares, na Ribeira.

    Ela ainda tentou chamar um carro por aplicativo, mas os preços estavam mais elevados do que o normal. “Carro estava dando R$ 150 e moto R$ 89”, disse.

    Taynan disse que já tinha desistido de ir votar quando viu uma postagem nas redes sociais sobre uma iniciativa de caronas solidárias na cidade. “Foi aí que um participante do grupo veio me buscar em casa”, afirmou a enfermeira.

    “Mas mesmo no trajeto de carro, não vi um ônibus circulando pela cidade”, disse.

    Com todas as dificuldades, Taynan só conseguiu chegar ao seu local de votação após às 17h, mas não foi autorizada a votar – apesar da determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, para a prorrogação das eleições até às 19h.

    “A escola estava aberta, os funcionários estavam presentes, porém as urnas já tinha sido encerradas às 17h e alegaram que não tinha como reiniciar”, disse. “Eu e outra eleitora não conseguimos votar.”

    “Fiquei muito triste”, desabafou. “Eu tentei muito.”

    O caso de Taynan foi registrado em ata pela responsável pela seção eleitoral.

  7. Especialista em direito eleitoral: Decisão de Zanin 'não tem fundamento'

    A decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação "não tem fundamento jurídico", segundo avalia Alberto Rollo, advogado especialista em direito eleitoral.

    "Eu nunca vi uma decisão monocrática [como] do ministro Zanin, que é o caso, colocar em risco e em segurança jurídica e política para 210 milhões de brasileiros, 158 milhões de eleitores. Não tem fundamento jurídico", disse Rollo durante a transmissão ao vivo da BBC News Brasil no YouTube sobre a eleição.

    "Isso que está acontecendo é muito triste para a nossa democracia."

    Na opinião do especialista, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, demorou em decidir sobre os primeiros pedidos da campanha de Lula para que a votação fosse estendida, devido a relatos de falta de transporte em algumas cidades. Então, o PT levou o caso ao STF, sobre o qual Zanin decidiu.

    "Com certeza houve uma inação, porque os primeiros pedidos, as primeiras denúncias chegaram a ele por volta das 15h, 15h e pouco, com tempo hábil para decidir", diz o advogado sobre a conduta de Nunes Marques.

    Entretanto, para o especialista, Zanin "passou por cima" do TSE, mesmo que este tenha demorado.

    "Demorar também é uma decisão", pondera Rollo.

    Para ele, as acusações de falta de transporte em diferentes cidades deveriam ser tratadas individualmente e eventualmente punidas na Justiça — mas não deveriam ter levado a uma prorrogação do horário de votação em todo o país.

  8. Tarcísio de Freitas critica decisão de Zanin: 'É inacreditável o que está acontecendo'

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, de prorrogar a eleição até 19h.

    "É inacreditável o que está acontecendo", disse Tarcísio, em entrevista a jornalistas publicada nas redes sociais do governador.

    Tarcísio afirma que o argumento usado pelo PT para pedir a prorrogação do horário de votação é "fantasioso" e que o sistema de monitoramento de São Paulo mostrava, ao longo do dia de votação, terminais vazios e o transporte funcionando.

    Ele criticou o fato de a decisão de Zanin ter sido tomada minutos antes das 17h, horário previsto para o encerramento da votação. "Ou seja: impossível de comunicar os cartórios eleitorais, uma vez que às 17h iniciam os lacres ao sistema", afirmou.

    Tarcísio acrescentou ainda que, com a decisão, Zanin passou por cima do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e lembrou que o ministro foi advogado do PT.

    "É lamentável que o Brasil passe por isso, estão tumultuando uma eleição pela certeza da derrota", afirmou.

  9. Apuração volta a ser divulgada pelo TSE

    O TSE voltou a divulgar a contagem de votos, agora que a prorrogação determinada por Zanin terminou.

    Com 0,37% das urnas apuradas, Lula sai na frente, com 55% dos votos ante a Flávio, que tem 44%.

  10. Eleitores encontraram locais de votação fechados após prorrogação do TSE

    Patricia Príncipe Pantoja Vargas, de 41 anos, organizou caronas solidárias na zona sul de São Paulo para levar pessoas com dificuldade de mobilidade no dia da eleição neste domingo.

    Às 17h52, depois da determinação de prorrogação da votação pelo STF, ela encontrou as portas do CEI Caminho do Mar, no bairro Jabaquara, fechadas.

    "Havia outras pessoas aguardando e pedindo para entrar e ter o direito de votar, já que a votação tinha sido estendida até as 19h e o segurança falou que não tinha jeito, que ninguém iria entrar", relatou.

    "A decisão tinha vindo cinco minutos antes das 17h e eles já tinham encerrado e estavam dizendo que os mesários já tinham ido embora e que não tinha mais nenhuma chance de entrar. Isso é um completo absurdo. Muitas pessoas estão perdendo o seu direito de votar."

    A empresária Ana Paixão, 24 anos, também decidiu dar caronas na sul de São Paulo, no bairro da Vila Sônia, e encontrou locais de votações fechados, mesmo após a decisão do STF. Às 17h37, ela encontrou o Colégio Franciscano JOÃO XXIII fechado.

    "E aí a gente desceu, perguntou, questionou o policial que estava na frente. Ele falou que já tinha fechado a zona por ordem superior", relatou.

    O TSE informou que, conforme decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, a eleição seguiu em andamento apenas nos locais em que a votação não havia sido encerrada às 17h.

  11. Colégio eleitoral de SP registra em atas impossibilidade de eleitores votarem

    Num colégio eleitoral do Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, diversos eleitores ficaram do lado de fora sem conseguir votar, após o fechamento das urnas, pontualmente às 17h.

    A situação foi registrada nas atas das seções, relata uma mesária presente no local.

    "A sessão não reabriu [após a ordem do STF para prorrogação da eleição]", diz a mesária.

    "Estão constando em todas as atas das seções o ocorrido, com assinatura dos fiscais dos dois partidos."

    Por volta das 18h12, todos os mesários seguiam no local, mas não havia previsão de reabertura dos portões nem de votação em cédula, diz a mesária.

    "As pessoas ainda estão na porta, pedindo para entrar", relata.

    Em Perdizes, na zona eleitoral 002, na Escola Prefeito Faria Lima, apenas uma urna ainda não havia sido fechada quando chegou a decisão de prorrogar o horário de votação.

    Segundo relatos de mesários, duas pessoas chegaram para votar, mas em seções cujas urnas já estavam fechadas. Fiscais e integrantes da equipe do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estavam no local e também registraram em ata que os eleitores foram impedidos de votar.

  12. Advogado vê risco de disputa judicial após prorrogação da votação pelo STF

    O advogado especialista em Direito Eleitoral Fabrício Antunes, disse à BBC News Brasil que que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar o horário de votação neste domingo (25/10) pode abrir espaço para questionamentos judiciais sobre a eleição presidencial.

    "A medida pode reduzir a abstenção, sem que seja possível antecipar qual candidato seria beneficiado. Também pode provocar uma disputa judicial sobre a eleição presidencial, sobretudo se houver aplicação desigual da ordem ou divulgação de resultados enquanto ainda houver votação", disse Antunes.

    Para o advogado, há problemas técnicos que podem ter impedido a execução da ordem dada pelo minisistro.

    "Há a possibilidade de urnas terem sido fechadas antes da ciência da decisão, o que aumenta a possibilidade de questionamentos por parte tanto dos partidos como de eleitores que sejam prejudicados", diz.

  13. Urnas aguardam para serem recolhidas, enquanto eleições seguem em outros locais

    Em um colégio eleitoral em Pinheiros, em São Paulo, as urnas já estão lacradas e aguardam para serem recolhidas. Enquanto isso, em outros locais, a votação segue aberta.

  14. TSE diz que eleição segue em andamento apenas nos locais em que a votação não havia sido encerrada às 17h

    O TSE informou agora, por meio de nota, que conforme a decisão de Zanin, "a eleição segue em andamento apenas nos locais em que a votação não havia sido encerrada às 17h."

    "O TSE retomará o recebimento dos Boletins de Urna (BUs), totalização dos votos e divulgação dos resultados após as 19h."

    Neste momento, quase todos os ministros do TSE estão reunidos no gabinete da Presidência e aguardam o término da votação.

  15. Eleitores vão aos locais de votação e não conseguem votar, mesmo com prorrogação, Por Vitor Tavares

    Após esclarecimento de decisão de Zanin de que apenas locais com urnas abertas seguiriam com votação, eleitores foram informados que não poderiam votar no prédio onde funciona a Unip e colégio Objetivo, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo.

    "[Estou] frustrada porque sei que meu voto era importante, ainda mais agora”, disse emocionada a diretora de arte Henny Lauer, 34 anos. Ela afirma que passou o fim de semana tratando uma infecção alimentar, chegando a ir ao hospital.

    Neste domingo, afirma, juntou forças para sair para votar. “Eu tomei mais remédios quando vi a decisão e vim”, disse. Representantes da Justiça eleitoral estão entregando papéis assinados dizendo que os eleitores compareceram ao local de votação e não conseguiram votar.

  16. 'Falta de transporte e decisão de Zanin trazem instabilidade para eleição', diz diretor da AtlasIntel

    O diretor de Análise Política da AtlasIntel, Yuri Sanches, afirmou à BBC News Brasil que a falta de transporte público em diferentes municípios do país, como Salvador e São Paulo, aponta para a falta de agilidade do TSE.

    "Esperava-se que houvesse uma celeridade um pouco maior da parte do TSE. Acabou não havendo", diz.

    Já a decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, de estender o horário de votação para as 19h, também acrescenta na eleição "um elemento inesperado", além de ter vindo de forma tardia. "Diversas urnas haviam sido fechadas", afirmou.

    "Cada um desses elementos, cada uma dessas decisões, seja de um gestor público ou do judiciário, a falta de decisões ou decisões cujo tempo pode ser controverso, isso cria um ambiente em que, em um país, de certa forma fraturado, é mais um elemento de instabilidade."

  17. Incerteza para eleitora e mesários em faculdade em SP

    Por Vitor Tavares, da BBC News Brasil em São Paulo

    Às 17h em ponto, as urnas e os portões foram fechados na faculdade Unip, na Zona Oeste da cidade de São Paulo.

    Segundo informações de mesários que não quiseram se identificar, cerca de cinco minutos depois da informação da prorrogação da eleição, o cartório eleitoral da região determinou a reabertura dos portões para o recebimento de eleitores atrasados.

    Como as urnas já estavam fechadas e não há urnas de contingência para votos de papel no local, mesários e três eleitores que chegaram atrasados ficaram sem saber o que fazer.

    A empresária Sabrina Rocha chegou dez minutos atrasada, porque seu voo para São Paulo demorou mais do que o previsto. “Soube que ainda podia votar então vim para cá. Mas estou com criança pequena e não vou conseguir esperar agora. Talvez volte perto das 19h”, disse.

    Os eleitores que chegaram foram orientados a permanecer no local até as 19h, mas não foi esclarecido se eles poderiam votar de forma manual. Segundo representante da Justiça Eleitoral na faculdade, não foi confirmada a informação que chegariam urnas para votação manual. Alguns mesários permanecem no local esperando orientações.

  18. Cientista política vê risco de crise de legitimidade após falta de ônibus e decisão do STF

    A cientista política e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Denilde Holzhacker, disse que a sequência de problemas no transporte público durante as eleições e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar o horário da votação neste domingo (25/10) pode gerar uma crise de legitimidade em relação ao resultado das urnas.

    “O maior risco não está apenas nas possíveis consequências eleitorais imediatas, mas na transformação de uma crise de acesso ao voto em uma crise de legitimidade democrática. E esse é um problema que não termina com o anúncio do vencedor”, disse Holzhacker.

    A professora afirma que, na sua avaliação, os episódios deste domingo afetam a credibilidade do sistema eleitoral.

    “A legitimidade de uma eleição não depende apenas da correção da contagem dos votos, mas também da garantia de que todos os cidadãos tenham condições efetivas e iguais de votar. Quando essa garantia é colocada em dúvida e as instituições responsáveis demoram a agir, cria-se um ambiente de desconfiança que pode persistir muito além da divulgação dos resultados”, afirma.

  19. Portões reabrem no maior colégio eleitoral de Salvador, diz fiscal de urna

    Os portões foram reabertos às 18h05 no Colégio Estadual Luiz Viana, maior colégio eleitoral de Salvador, segundo Beatriz Valim, fiscal de urna baiana que estava no local.

    Eleitores estavam do lado de fora do colégio entoando gritos de "quero votar".

    Ainda não se sabe se os votos deles serão registrados, e se isso será feito em urnas eletrônicas ou por meio de votação manual em cédulas.

  20. Decisão de Zanin tem fundamento jurídico, embora sem precedente desde 1988, apontam especialistas

    Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de adiar a votação no país até às 19h, tem fundamento jurídico — embora não tenha precedentes em pleitos desde a Constituição de 1988.

    O magistrado se valeu da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013, de outubro de 2023, para validar a decisão. Ele reagiu à Reclamação Constitucional (RC) 101.673, da campanha petista, que apontou falta de transporte público nos municípios de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.

    "A Reclamação Constitucional é um mecanismo jurídico muito amplo. Não há limite estabelecido para o que ele comporta, de fato", explica Horácio Neiva, advogado especialista em Direito Eleitoral.

    "Via de regra, uma Reclamação Constitucional existe para preservar uma decisão anterior do Supremo, não para criar uma ação originária, como parece ter sido o caso agora. Não tem precedente na história eleitoral, mas não é uma decisão inconstitucional", explica.

    Segundo apuração da reportagem, a campanha de Lula entregou reclamações a vários ministros do STF durante a tarde, depois que relatos da falta de transporte público começaram a aparecer nas redes sociais. Na liminar, Zanin afirma que o STF tomou conhecimento desses relatos às 16h32 e que, "diante da urgência evidente na medida", prorrogou a decisão até às 19h em todas as seções do Brasil.