Um editorial do jornal New York Times (NYT) publicado hoje afirma, no título, que "Trump deveria ficar de fora da política brasileira".
O texto diz que o presidente americano "não declarou formalmente" apoio a Flávio Bolsonaro — "ainda assim, ele fez praticamente tudo, exceto manifestar um apoio oficial", completa.
A aplicação, em 2025, de tarifas de 50% sobre a maior parte das importações brasileiras é citada como um exemplo dessa manifestação de apoio por parte de Trump. A aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes também é mencionada.
"É impossível saber quão eficaz tem sido a interferência de Trump no Brasil", pondera o editorial.
Argumenta-se que os EUA tiveram um histórico de intervenção em eleições estrangeiras principalmente na Guerra Fria, o que teria ficado para trás nas décadas recentes. No entanto, Trump estaria retomando essa postura, tendo apoiado candidatos na Argentina, Colômbia, Honduras, Hungria, Israel, Japão e Polônia.
"A interferência externa nas eleições de um Estado democrático é antidemocrática: afinal, os americanos não fazem parte da política brasileira. Por trás das intervenções da gestão Trump, há uma mensagem desrespeitosa: a de que os americanos — ou, pelo menos, um pequeno grupo deles — acreditam saber, melhor do que os próprios brasileiros, o que é mais adequado para o Brasil", diz o editorial.
O NYT afirma que, com essa postura intervencionista, a gestão Trump coloca em risco o soft power (a capacidade dos países de persuadir outros sem o uso da força, por exemplo através da cultura e do entretenimento) dos EUA.
"Em 2014, os moradores do Brasil, Chile, Colômbia e México tinham, de modo geral, uma opinião substancialmente mais favorável sobre os Estados Unidos do que sobre a China, segundo pesquisas do Pew Research Center. Já na primavera deste ano [no hemisfério norte], a vantagem dos Estados Unidos havia diminuído a ponto de quase desaparecer no Brasil; nos outros três países, a China passou a ter uma vantagem modesta", aponta o editorial.