O jornal americano Washington Post afirma que Flávio Bolsonaro está distante de sua base política e “sem qualquer caminho claro de volta à política brasileira”, após deixar o Brasil e chegar a Miami, nos Estados Unidos.
Em reportagem publicada hoje, o jornal destaca que a decisão do senador de abandonar o país surpreendeu até seus próprios assessores, alguns dos quais haviam recomendado que ele permanecesse no Brasil.
Segundo um assessor ouvido sob anonimato pelo jornal, o senador parecia disposto, na segunda-feira, a aceitar a derrota e assumir o papel de principal liderança da oposição.
A situação mudou depois que a Justiça determinou a entrega de seus passaportes brasileiros. Uma pessoa com conhecimento das conversas privadas de Flávio afirmou que a derrota eleitoral, a decisão judicial e a possibilidade de prisão o deixaram “emocionalmente exausto”. “Acho que nem ele sabe o que vai fazer”, disse a fonte ao jornal.
O Washington Post também descreve a situação como um potencial “problema político” para Donald Trump.
Embora o governo americano tenha autorizado a entrada de Flávio e de sua família nos Estados Unidos, o presidente evitou endossar suas acusações de fraude.
“Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha”, afirmou Trump.
Uma autoridade americana disse ao jornal que o Departamento de Estado dificilmente levará adiante as denúncias contra Flávio. Na carta publicada nas redes sociais, o senador agradeceu a Trump e ao presidente argentino Javier Milei pela ajuda para deixar o país.
A reportagem aponta ainda divisões dentro do próprio grupo político de Flávio. Uma ala defendia que ele se declarasse “presidente legítimo” do Brasil, enquanto outra sugeria buscar apoio dos governos americano e argentino para pressionar por uma auditoria da eleição.
O jornal afirma que até alguns aliados começavam a se afastar de sua estratégia. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse compreender a indignação de Flávio, mas defendeu que o resultado das urnas fosse respeitado. O Washington Post ressalta que não há evidências públicas de fraude no sistema eleitoral brasileiro.
O jornal também compara a viagem de Flávio à trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, que também foi para a Flórida depois de perder a eleição presidencial de 2022.
A publicação observa, porém, uma diferença importante: desta vez, não há sinais de uma mobilização de apoiadores semelhante à que antecedeu os ataques de 8 de janeiro de 2023.
Segundo a reportagem, o futuro político do senador permanece indefinido, inclusive para pessoas de seu círculo mais próximo.