Flávio Bolsonaro divulga carta após derrota na eleição em que se diz ‘verdadeiro presidente do Brasil’ e fala, sem provas, de ‘fraude’
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL derrotado na eleição de domingo, dirigiu-se ao “povo brasileiro” como “o verdadeiro presidente do Brasil” e afirmou que pretende liderar a oposição dos Estados Unidos.
Em uma versão editada divulgada posteriormente, Flávio se referiu a si mesmo como "líder do Brasil". E, na primeira versão da carta, divulgada pelo influenciador Paulo Figueiredo e atribuída ao senador, Flávio se identificava como "verdadeiro presidente eleito".
Flávio agradeceu aos presidentes Javier Milei e Donald Trump e afirmou no comunicado, sem apresentar provas, que houve uma “fraude eleitoral” por meio da extensão do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, a pedido das campanhas do PT e do próprio PL.
“A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, disse Flávio.
“Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível.”
O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, afirmou que a ampliação do horário da votação não alterou o resultado da eleição, e um cálculo do tribunal mostrou que cerca de 34 mil votos foram registrados durante a prorrogação, menos de 0,03% dos votos totais, bem aquém da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Diversos analistas apontaram a expressiva queda da abstenção e dos votos brancos e nulos como um dos fatores que explicam o aumento da votação obtida pelo petista no segundo turno.
Nunes Marques reconheceu a vitória de Lula, assim como os partidos de oposição, entre eles o próprio PL de Flávio Bolsonaro, e vários líderes internacionais que parabenizaram o petista pelo resultado.
Missões internacionais de observação que acompanharam o segundo turno da eleição avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade e elogiaram a capacidade técnica da Justiça Eleitoral.
O Carter Center, organização sem fins lucrativos sediada nos EUA, que atua em observação eleitoral desde 1989, afirmou que a eleição brasileira foi “bem-sucedida” e pediu “respeito” ao resultado.
A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que reúne 35 países do continente, entre eles Brasil e Estados Unidos, e que há décadas envia observadores a eleições na região, foi a maior e a mais abrangente entre as que acompanharam o segundo turno.
Segundo o documento divulgado pela entidade, os resultados apresentados pelo TSE na noite da eleição "coincidem com as informações coletadas em campo" e a missão "não tem dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais".