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Governo Lula descarta escalar crise com Trump por Flávio Bolsonaro

Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA voltou a falar das eleições brasileiras um dia após Flávio Bolsonaro chegar aos EUA e divulgar carta se dizendo "líder" do Brasil. Vitória de Lula foi amplamente reconhecida pela Justiça e líderes políticos.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Marina Rossi, Iara Diniz, Leandro Prazeres, Vinicius Mendes, Thais Carrança, Mariana Schreiber, Rute Pina, Mariana Alvim, Julia Braun, Giulia Granchi e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em São Paulo, Brasília e Londres.

  1. Flávio Bolsonaro divulga carta após derrota na eleição em que se diz ‘verdadeiro presidente do Brasil’ e fala, sem provas, de ‘fraude’

    O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL derrotado na eleição de domingo, dirigiu-se ao “povo brasileiro” como “o verdadeiro presidente do Brasil” e afirmou que pretende liderar a oposição dos Estados Unidos.

    Em uma versão editada divulgada posteriormente, Flávio se referiu a si mesmo como "líder do Brasil". E, na primeira versão da carta, divulgada pelo influenciador Paulo Figueiredo e atribuída ao senador, Flávio se identificava como "verdadeiro presidente eleito".

    Flávio agradeceu aos presidentes Javier Milei e Donald Trump e afirmou no comunicado, sem apresentar provas, que houve uma “fraude eleitoral” por meio da extensão do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, a pedido das campanhas do PT e do próprio PL.

    “A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, disse Flávio.

    “Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível.”

    O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, afirmou que a ampliação do horário da votação não alterou o resultado da eleição, e um cálculo do tribunal mostrou que cerca de 34 mil votos foram registrados durante a prorrogação, menos de 0,03% dos votos totais, bem aquém da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.

    Diversos analistas apontaram a expressiva queda da abstenção e dos votos brancos e nulos como um dos fatores que explicam o aumento da votação obtida pelo petista no segundo turno.

    Nunes Marques reconheceu a vitória de Lula, assim como os partidos de oposição, entre eles o próprio PL de Flávio Bolsonaro, e vários líderes internacionais que parabenizaram o petista pelo resultado.

    Missões internacionais de observação que acompanharam o segundo turno da eleição avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade e elogiaram a capacidade técnica da Justiça Eleitoral.

    O Carter Center, organização sem fins lucrativos sediada nos EUA, que atua em observação eleitoral desde 1989, afirmou que a eleição brasileira foi “bem-sucedida” e pediu “respeito” ao resultado.

    A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que reúne 35 países do continente, entre eles Brasil e Estados Unidos, e que há décadas envia observadores a eleições na região, foi a maior e a mais abrangente entre as que acompanharam o segundo turno.

    Segundo o documento divulgado pela entidade, os resultados apresentados pelo TSE na noite da eleição "coincidem com as informações coletadas em campo" e a missão "não tem dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais".

  2. Janones diz que eventual pedido de prisão de Flávio criaria 'narrativa' para manter seus apoiadores mobilizados

    O deputado federal André Janones (Rede-MG) publicou um texto em suas redes sociais em que diz esperar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "não tenha sua prisão decretada", porque isso permitiria aos seus apoiadores "construir uma narrativa".

    "Ao contrário de quando perderam em 2022, agora eles não estão conseguindo se manter unidos e nem mobilizados após a derrota. Minhas análises das redes deles nas primeiras 48 horas depois do resultado das eleições comprovam isso", escreveu Janones, responsável por criar o canal no WhatsApp "Exército do Lula", que conseguiu mais de 10 milhões de seguidores.

    "A direita ressurgirá com força nos próximos 4 anos, ocupando o lugar da extrema direita e, com isso, eles serão definitivamente varridos do Brasil!", prosseguiu.

    "A única coisa que pode mudar isso é um fato que consiga uni-los novamente, algo pintado como uma injustiça e que mantenha viva a figura do inimigo em comum. A única coisa no momento que tem esse potencial é um mandado de prisão contra Flávio", escreveu Janones.

    "Se isso não acontecer, a narrativa se perde: 'fugiu'? 'Do que'? Claro que eles ainda manteriam a narrativa mesmo sem o mandado, porém ficará só no campo da teoria da conspiração, uma vez que nenhuma ordem de prisão terá sido emitida. O 'inimigo a ser combatido' deixa de existir, a gente não dá mais palco pra ele, elegemos novos adversários, eles caem no ostracismo, pra sempre!"

  3. 'Desculpa, pai, a gente falhou': Carlos relata visita a Jair Bolsonaro

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) "está tentando assimilar tudo que está acontecendo" após a derrota de seu filho Flávio nas eleições de domingo, segundo disse o senador eleito por Santa Catarina Carlos Bolsonaro (PL-SC).

    Carlos postou um vídeo nas rede sociais após visitar o pai e declarou que ele está "forte" e sabe que "a vida continua".

    "Em determinado momento, eu me emocionei na frente dele e falei: 'desculpa, pai, a gente falhou'"

    Carlos contou que Bolsonaro lhe disse: "Negativo, levanta a cabeça, vamos embora. Muita coisa para fazer pelo Brasil ainda."

  4. Flávio usou passaporte brasileiro cancelado para entrar nos EUA, Luiz Fernando Toledo, de Londres

    Registros do governo dos EUA mostram uma chegada ao país hoje nos históricos associados aos passaportes brasileiros de Flávio Bolsonaro.

    Os passaportes brasileiros de Flávio, inclusive o passaporte oficial, obtido pela condição de ser senador da República, estavam cancelados desde ontem pela Polícia Federal (PF).

    Segundo a PF, após o cancelamento dos passaportes, "foi inserido alerta migratório no sistema SONAR e o senador foi intimado na manhã de segunda-feira (26/10) a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas, o que não ocorreu".

    "A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares. A Polícia Federal investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais pelo investigado, atuando nos limites da legislação e no cumprimento das determinações judiciais", informou a polícia em nota.

    Já na Argentina, o comprovante migratório mostra que Flávio usou um passaporte italiano no controle de saída pelo aeroporto de Puerto Iguazú, às 23h52 de ontem.

    O Departamento de Segurança Interna confirmou, por meio de nota, que Flávio e sua família aterrissaram no sul da Flórida, "sendo recebido e submetido a uma inspeção pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, em conformidade com as leis e os procedimentos de imigração aplicáveis. Ao término da inspeção, o Sr. Bolsonaro e os familiares que o acompanhavam foram liberados."

  5. PF diz que suspensão de passaportes de Flávio não caracteriza condição de foragido

    A Polícia Federal informou, por meio de nota, que a "existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares".

    A PF confirmou que, no domingo, solicitou ao STF medidas cautelares, incluindo a apreensão de passaportes, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados, "após identificar risco de saída do Brasil pelo senador Flávio Bolsonaro".

    Após a decisão judicial, os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil de Flávio foram cancelados, segundo a PF, e o senador foi intimado na manhã de segunda-feira (26/10) a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas, o que não ocorreu.

    Depois que os passaportes de Flávio foram cancelados, a PF inseriu um alerta no sistema SONAR, ferramenta de monitoramento, controle e registro de entradas e saídas de pessoas no território nacional.

    A nota também diz que não há registro oficial de saída do senador pelos postos de controle migratório brasileiros.

  6. Imprensa internacional destaca a ida de Flávio aos EUA

    A imprensa internacional noticia a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos hoje.

    "Bolsonaro chegou aos Estados Unidos depois de, aparentemente, ter desaparecido por 24 horas — um período marcado por incertezas sobre onde ele estava e como, ou mesmo se, conseguiria chegar aos Estados Unidos", diz reportagem do New York Times, intitulada "Flávio Bolsonaro desembarca em Miami após fugir do Brasil".

    O jornal americano também diz que a assistência do governo dos EUA a Flávio "pode acirrar as tensões entre a administração Trump e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou o presidente Trump de interferir nos assuntos internos de seu país".

    O jornal espanhol El País diz que Flávio chegou à Flórida "depois de prometer que permaneceria no Brasil para liderar a oposição a Lula". E que, no trajeto, "descumpriu uma ordem do Supremo Tribunal Federal que o obrigava a entregar seus passaportes."

    O periódico também destaca o desencontro de informações sobre o paradeiro do senador ontem: "A terça-feira foi marcada por relatos confusos e tendenciosos, nos quais ninguém sabia onde ele estava."

    O mesmo fez O The Guardian. "Após perder a eleição de domingo para o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro permaneceu desaparecido por mais de 24 horas, até que autoridades migratórias da Argentina informaram que ele havia entrado no país por via terrestre na noite de terça-feira."

    O jornal britânico também diz que "a Polícia Federal vem sendo criticada por não ter impedido sua saída do país."

  7. Flávio Bolsonaro ficou 41h sem aparecer

    O senador Flávio Bolsonaro passou 41 horas — ou um dia e 17 horas — sem aparecer publicamente.

    Nesse período, houve intensa especulação sobre seu paradeiro exato.

    Às 16h40 de segunda-feira (26/10), Flávio Bolsonaro publicou um vídeo no seu Instagram relatando que recebeu a ordem da Polícia Federal de entregar seu passaporte.

    Depois disso, ele só voltou a ser visto publicamente na manhã desta quarta-feira (28/10), às 10h24 (horário de Brasília), desembarcando de um jato privado no aeroporto Opa Locka, na Flórida.

    O governo da Argentina afirmou que Flávio Bolsonaro entrou no país às 22h50 de terça-feira (27/10).

    Às 23h30, o governo argentino disse que ele embarcou em um jatinho rumo ao Equador.

    Dados de rastreamento de voo mostram que ele chegou em Guayaquil às 5h46 (horário de Brasília) e partiu poucos minutos depois rumo a Miami.

  8. Rogéria Bolsonaro publica vídeo lamentando Flávio ter deixado o Brasil: 'Separada de mais um'

    Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, publicou em suas redes sociais um vídeo lamentado Flávio ter deixado o Brasil.

    "Separada de mais um", diz. Ela lembra que Eduardo já está longe com a família. "Agora são 4 netos que estarei privada de acompanhar de perto seu crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis", diz ela.

    Eduardo vive nos Estados Unidos desde março do ano passado, onde se dedica a convencer o governo Donald Trump a atuar pela anistia aos envolvidos nos ataques do 8 de janeiro no Brasil e para obter sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

  9. O caminho que Flávio fez até chegar aos EUA

    O caminho de Flávio Bolsonaro até Miami não foi, de forma alguma, direto.

    Segundo a autoridade migratória da Argentina, Bolsonaro e sua família viajaram para o sul, em direção à Argentina, e cruzaram a fronteira por via terrestre na terça-feira, às 22h50.

    Em seguida, sua aeronave voou para Guayaquil — a maior cidade do Equador — para reabastecer, antes de ele e sua família seguirem viagem para a Flórida, onde pousaram em Opa-locka, na região metropolitana de Miami.

  10. Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami escoltado por seguranças e deixou aeoroporto em carro

      • Author, Cecilia Barría
      • Role, BBC News, Florida

    Após desembarcar no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka com a família, Flávio Bolsonaro saiu da área de alfândega dos Estados Unidos vestindo uma camiseta escura e bermuda. Ele foi escoltado por policiais e seguranças e protegido por guarda-chuvas, passando a poucos passos de onde estava posicionada a equipe da BBC Mundo.

    Flávio deixou o aeroporto em um Ford Expedition Max cinza, seguindo para um destino desconhecido.

    O governo dos Estados Unidos anunciou na terça-feira (27/10) que concederia vistos de entrada de Flávio e sua família, depois que o senador não cumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes.

    Ainda não se sabe se Flávio Bolsonaro irá para Orlando, na Flórida, onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, permaneceu por quase três meses no início de 2023, após ser derrotado por Lula na eleição presidencial.

  11. Por onde Flávio Bolsonaro passou?, Por Thomas Copeland e Jake Horton

    Flavio Bolsonaro não seguiu um trajeto direto para os EUA; a BBC Verify tem acompanhado o seu percurso desde que ele deixou o Brasil, ontem.

    Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio entrou no país por via terrestre na noite de terça-feira e, em seguida, embarcou em um avião com quatro familiares.

    Dados de rastreamento do Flightradar24 mostram que um Gulfstream G400 decolou de Puerto Iguazú, na Argentina, às 3h18 (horário local) de quarta-feira, com destino a Guayaquil, no Equador.

    Isso coincide com a declaração das autoridades argentinas, que informaram que Bolsonaro e sua família "embarcaram em um voo privado, operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador".

    O mesmo jato particular decolou de Guayaquil por volta das 9h (horário local) e pousou no Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka pouco antes das 13h30, onde Bolsonaro foi fotografado desembarcando da aeronave.

  12. O que aconteceu até agora

    A chegada de Flávio Bolsonaro e família aos Estados Unidos está no centro dos desdobramentos políticos de hoje. Após passar pela Argentina e pelo Equador, o senador desembarcou na região de Miami, como mostram imagens divulgadas nesta manhã.

    A saída do país aconteceu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a apreensão dos passaportes do senador e o proibir de deixar o Brasil na segunda-feira (26/10).

    O pedido de apreensão aconteceu dentro do inquérito que investiga suposta lavagem de dinheiro de Flávio em parceria com seu amigo advogado Willer Tomaz.

    • Entrada na Argentina: o governo argentino informou que Flávio Bolsonaro, a mulher e as duas filhas entraram no país às 22h50 de terça-feira (27/10), pela fronteira entre Foz do Iguaçu, no Brasil, e Puerto Iguazú, na Argentina.
    • Voo para o Equador: segundo as autoridades argentinas, a família embarcou às 23h30 em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador.
    • Trajeto até Miami: dados de rastreamento da aviação indicaram que a aeronave seguiu do Equador para os Estados Unidos. Inicialmente, não havia confirmação oficial de que Flávio estivesse a bordo.
    • Chegada aos EUA: Imagens divulgadas nesta quarta-feira mostram Flávio desembarcando no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami. Ele também se encontrou com o irmão Eduardo Bolsonaro.
    • Vistos para a família: Ontem, um alto funcionário do Departamento de Estado americano disse à BBC que o órgão concederá vistos a Flávio e seus familiares e permitirá a entrada deles no país.
    • Ordem para entregar os passaportes: a viagem ocorreu após Moraes determinar que Flávio entregasse seus passaportes. O prazo para cumprir a ordem terminou na terça-feira, sem que o senador apresentasse os documentos, segundo apuração da BBC News Brasil.
    • Vídeo publicado pelo senador: Após ter sido intimado, Flávio gravou um vídeo na tarde de segunda-feira, afirmando que nunca pensou em sair do país e que entregaria os passaportes para se defender da decisão de Moraes.Depois disso, ele não se manifestou mais nas redes sociais.
    • Flávio pode ser considerado foragido? Criminalistas ouvidos pela BBC afirmam que, neste momento, não, pois não há mandado de prisão em aberto contra ele. A saída, porém, pode representar descumprimento de uma medida cautelar que o proibia de deixar o país.
    • Reações políticas: Lula criticou a saída e afirmou que Flávio deveria permanecer no Brasil para responder às acusações. Aliados de Flávio, por sua vez, defenderam a saída do país, alegando que o senador seria um "perseguido político".
  13. O momento em que Flávio desembarca na Flórida

  14. Outras imagens mostram o desembarque

  15. Imagens mostram desembarque de um jatinho na Flórida; Flávio aparentemente está entre os passageiros

    Imagens mostraram agora o desembarque de um jatinho particular no aeroporto de Opa-locka, na região metropolitana de Miami. Flávio Bolsonaro, aparentemente, está entre os passageiros que desembarcaram.

  16. Relação entre Trump e Lula pode azedar mais?

    As suspeitas de saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e de que ele estaria a caminho dos EUA acrescentam um novo elemento à relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada por divergências políticas e comerciais.

    O relacionamento entre os dois países foi abalado pela imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

    Segundo o integrante do governo, se for confirmada a chegada do senador aos EUA, o Brasil terá de acompanhar os desdobramentos do caso, incluindo as justificativas apresentadas por Flávio e a eventual necessidade de solicitar sua extradição.

    Ele também avalia que o Departamento de Estado americano poderia acolher o senador, mas afirma que uma eventual rejeição a um pedido de extradição não impediria a manutenção de uma relação pragmática entre os dois países.

    O auxiliar considera ainda que decisão de Flávio representa um problema maior para seus eleitores, o PL e a direita radical brasileira. Ele criticou o que vê como abandono dos apoiadores pela família Bolsonaro e disse ter se surpreendido com a rapidez da possível movimentação.

  17. No X, Paulo Figueiredo diz que Flávio está bem e que farão pronunciamento amanhã

    O blogueiro de direita radical Paulo Figueiredo publicou em sua conta no X agora pela manhã que Flávio "está bem, em segurança" e que farão entrevista coletiva amanhã em Miami.

  18. Quais são os caminhos possíveis para Flávio Bolsonaro permanecer legalmente nos Estados Unidos?

    O senador, derrotado na disputa presidencial, poderia tentar um pedido de asilo, obter um visto temporário de trabalho ou buscar um green card, que permite morar e trabalhar no país por tempo indeterminado.

    Cada alternativa tem exigências e obstáculos. Um pedido de asilo, por exemplo, poderia ser dificultado pela possível cidadania italiana de Flávio, já que uma decisão recente da Justiça migratória americana estabeleceu critérios mais rigorosos para pessoas com dupla cidadania de países considerados democráticos e desenvolvidos.

    Já o green card pode ser obtido por diferentes vias, inclusive por habilidades extraordinárias ou investimento financeiro. No caso de Flávio, porém, seria necessário comprovar que ele atende aos requisitos de cada categoria.

  19. Quem são os bolsonaristas que vivem atualmente nos Estados Unidos?

    Caso se confirme a ida de Flávio Bolsonaro para os EUA, o senador se juntará a uma lista de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que já vivem no país, enfrentam problemas com a Justiça brasileira e alegam ser vítimas de perseguição política.

    Entre eles está Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, condenado a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista de 8 de janeiro. Ele está foragido nos EUA desde setembro de 2025 e chegou a ser detido pelo serviço de imigração americano em abril deste ano, antes de ser liberado.

    Outro nome é Allan dos Santos, blogueiro que deixou o Brasil em 2020 e teve a prisão preventiva decretada pelo STF no ano seguinte.

    Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, também vive nos EUA, onde obteve um green card em julho de 2026. Ele foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo, após atuar para interferir no julgamento do pai.

    Já Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Batista Figueiredo, mora nos Estados Unidos desde 2015. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por coação no curso do processo, mas seu caso ainda aguarda julgamento.

  20. Flávio Bolsonaro pode ser considerado foragido?

    Se for confirmado que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil, ele não deve ser considerado foragido da Justiça neste momento, segundo criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil.

    Especialistas explicam que, para ser considerado foragido, é necessário haver um mandado de prisão em aberto. O senador, porém, estava sujeito a uma medida cautelar que o proibia de deixar o país.

    A saída pode representar descumprimento de uma ordem judicial e, segundo os especialistas, levar a novos desdobramentos jurídicos.

    Entenda o que dizem os especialistas e quais são as possíveis consequências na reportagem da BBC News Brasil.