O caso do Ueno Bank passou a ser comparado, no Brasil, ao do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025 e que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Nos dois episódios, bancos que cresceram rapidamente em poucos anos atraíram grandes volumes de recursos e acabaram no centro de questionamentos sobre operações financeiras, investimentos de fundos de previdência e relações com o poder público.
As estratégias dos bancos para conquistar clientes, porém, eram diferentes: enquanto o Ueno apostou na abertura digital de contas, em descontos e na devolução de parte do valor das compras, o Master atraiu investidores com CDBs que ofereciam remuneração muito acima da média do mercado.
Outra semelhança está no envolvimento de recursos ligados a sistemas de previdência. No Paraguai, o Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, entre eles fundos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios.
No Brasil, regimes próprios de previdência de Estados e municípios investiram cerca de R$ 1,8 bilhão em títulos emitidos pelo Master, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
Os dois casos também levantaram questionamentos sobre as relações entre instituições financeiras e integrantes do poder público.
No Paraguai, o Banco Central apontou empréstimos considerados excessivos a empresas ligadas ao grupo controlador do Ueno. O presidente Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. O então presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo Spalding, também havia comandado o Ueno antes de assumir o cargo público.
No Brasil, o dono do Master, Daniel Vorcaro, construiu uma extensa rede de contatos com políticos, integrantes do governo e autoridades do Judiciário. Essas conexões passaram a ser examinadas no contexto das investigações sobre o banco. A existência de contatos, por si só, não significa que as autoridades citadas tenham cometido irregularidades.
Além disso, os dois casos tiveram desdobramentos na esfera criminal, com a prisão de dirigentes e pessoas ligadas ao controle das instituições.
Apesar das semelhanças, há uma diferença importante no peso de cada instituição em seu sistema financeiro.
O Ueno acumulava cerca de US$ 3,75 bilhões em ativos e concentrava aproximadamente 9,1% dos depósitos do sistema bancário paraguaio. O Master, por sua vez, tinha R$ 86,8 bilhões em ativos, mas representava cerca de 0,55% das captações do sistema financeiro brasileiro.
A diferença também aparece no número de clientes — e na dimensão do impacto da crise. O Ueno chegou a quase 3 milhões de clientes em junho de 2026, o equivalente a cerca de 60% da população adulta do Paraguai.