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Como foi a votação do Senado que aprovou fim da escala 6x1: veja repercussão

Maior mudança na jornada de trabalho desde 1988 é uma das maiores bandeiras da campanha de reeleição do presidente Lula (PT) e teve votação acelerada. Flávio Bolsonaro (PL) voltou atrás sobre projeto e votou a favor.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Como foi a votação da PEC na Câmara dos Deputados, em maio?

    A PEC que pretende acabar com a escala 6x1 chegou ao Senado após ser aprovada em maio na Câmara dos Deputados — em dois turnos.

    Na ocasião, foram 461 votos a favor e apenas 19 contra no segundo turno de votação na Câmara.

    O presidente da Casa, deputado Hugo Motta, abraçou a proposta, em alinhamento com o presidente Lula (PT).

    Durante os debates, deputados de oposição argumentaram que a mudança vai aumentar o custo das empresas, pressionando a inflação e podendo causar demissões.

    A oposição chegou a defender uma transição de dez anos para a mudança, mas essa ideia perdeu força.De última hora, o PL passou a defender também que fosse aprovada a escala 4x3, garantindo três folgas semanais aos trabalhadores, mas não conseguiu que a proposta fosse à votação no plenário. Defensores da redução da jornada viram nessa demanda uma tentativa de tumultuar a aprovação da PEC.

  2. Roberta Acioly defende medidas para reduzir impactos para empregadores

    A senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR) defendeu que a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 seja acompanhada de medidas para reduzir os impactos financeiros da mudança sobre os empregadores e preservar postos de trabalho.

    Ela afirmou que o poder público deve acompanhar a transição, com mecanismos de compensação para as empresas.

    A senadora também propôs discutir medidas tributárias e incentivos para reduzir os custos da adaptação à nova jornada.

  3. Jaques Wagner: 'Fim da escala 6X1 é passo histórico'

    O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu que os senadores votem logo a proposta que acaba com a escala 6x1 e afirmou que os brasileiros acompanham a sessão na expectativa de uma decisão.

    "Eu quero votar. O povo brasileiro está olhando para a televisão querendo ver a gente votar”, disse.

    Wagner afirmou que a escala 5x2 já é realidade para muitos trabalhadores e classificou a proposta como um passo histórico.

    "O Brasil não vai acabar. O Brasil vai melhorar, gerando mais emprego, mais produtividade e mais riqueza para o país", declarou.

  4. Renan Filho rebate acusação de que PEC é eleitoreira e critica ausência de Flávio Bolsonaro

    O senador Renan Filho (MDB-AL) defendeu a redução da jornada de trabalho e afirmou que a proposta não é eleitoreira, como acusa a oposição ao governo Lula.

    "Se precisássemos de uma eleição para reduzir a jornada de trabalho e defender o trabalhador que ganha menos no Brasil, era melhor que tivéssemos eleição todo ano, que aí veríamos movimentações como essa", declarou.

    Renan também criticou a ausência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na sessão, em que o Senado discute a proposta de mudança na jornada de trabalho.

    "O aproveitamento do processo eleitoral é o candidato da oposição à Presidência da República, na hora em que esse país discute uma alteração constitucional fundamental, ele sequer registrou presença para não participar da discussão."

  5. O que dizem eleitores que trocaram Lula por Flávio Bolsonaro

    No pano de fundo da votação no Senado está o segundo turno da eleição presidencial, que ocorrerá em 25 de outubro.

    A BBC News Brasil conversou com moradores de cidades como Balsa (MA) e São João do Triunfo (PR), que no passado deram amplas vitórias a Lula e ao PT, mas que no primeiro turno desse ano escolheram Flávio Bolsonaro (PL).

    Leia a reportagem completa aqui.

  6. Jussara Lima: 'Redução da jornada é conquista de justiça social principalmente para mulheres'

    A senadora Jussara Lima (PSD-PI) afirmou que a aprovação do fim da escala 6X1 representa um avanço na qualidade de vida dos brasileiros e classificou como "uma conquista de justiça social como raríssimas vezes presenciamos".

    A senadora também destacou a importância da mudança para as mulheres, que frequentemente acumulam o trabalho remunerado com as tarefas domésticas e os cuidados com a família.

    "Aprovar essa PEC é reconhecer que as mulheres precisam de tempo para estudar, descansar, cuidar da própria saúde", afirmou.

  7. Oriovisto Guimarães critica pressa na votação da PEC

    O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) criticou os discursos extensos dos colegas em defesa da PEC que prevê o fim da escala 6x1 no Senado. Para ele, os parlamentares estão "chovendo no molhado".

    "Todos a favor da PEC, convencendo quem já está convencido. Será que estão convencendo ou estão querendo gravar vídeo?", questionou.

    Oriovisto afirmou que nunca foi contrário à proposta, mas criticou a condução da tramitação. Segundo ele, o Senado está atuando como “carimbador” de uma PEC elaborada integralmente pela Câmara dos Deputados.

    "É preciso que os trabalhadores saibam que nenhum senador contribuiu com essa PEC em nenhuma vírgula. Os senadores não fizeram o trabalho de casa revisora. Essa PEC poderia ser melhor do que é", declarou.

    O senador também acusou os parlamentares de atropelarem a tramitação na CCJ e no plenário por interesses políticos. Na avaliação dele, havia receio de que a proposta voltasse à Câmara e o prazo eleitoral passasse sem que o presidente Lula pudesse colher dividendos políticos da aprovação.

    Oriovisto apresentou uma emenda de redação à PEC que, segundo ele, não exigiria o retorno do texto à Câmara dos Deputados. Sua proposta busca prever a regulamentação de regimes especiais de trabalho, como os de jornalistas e técnicos em radiologia.

  8. Senador do PL diz que vai votar sim, mas que PEC traz riscos

    O senador de oposição Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) disse que vai votar pela aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, mas que haverá impactos econômicos da redução da jornada de trabalho.

    "Milhões de brasileiros esperam essa votação de hoje. Querem mais tempo para família para estudar, descansar. Esse pedido é legítimo, por isso meu voto será sim."

    Apesar do apoio à proposta, ele afirmou que há riscos para o trabalhador, citando aumento dos custos para as empresas, que poderiam ser repassados aos preços, levar à substituição de trabalhadores por outros com salários menores ou acelerar a adoção de máquinas.

    "Essa redução só vai se sustentar na prática se for sustentada com ganho de produtividade", declarou.

  9. O que aconteceu até agora?

    Para quem está chegando agora, aqui um resumo dos principais acontecimentos desta quarta-feira na votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1.

    • Alcolumbre abriu a sessão. O presidente da Casa afirmou que cumpriu sua palavra ao pautar a proposta após o primeiro turno das eleições;
    • Até o momento, 13 senadores haviam discursado; todos foram unânimes em defesa da PEC, inclusive a oposição, com posição favorável do senador Marcos Pontes, do PL;
    • Mas, pouco antes da sessão, Sóstenes Cavalcante, líder do partido na Câmara, afirmou que Flávio Bolsonaro insistirá, após as eleições, na chamada "PEC das horas", mesmo se o fim da escala 6x1 for aprovado. A proposta prevê um regime flexível baseado nas horas trabalhadas, como alternativa à CLT;
    • Cerca de três horas após o início dos debates, Flávio e Rogério Marinho, autor da "PEC das Horas", ainda não haviam registrado presença na sessão;
    • A pesquisa Quaest saiu enquanto os senadores discutiam a proposta do fim da escala 6x1: os números que indicam Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto e Lula, 44%.
    • Enquanto isso, na Câmara, deputados analisam um projeto que amplia o limite de enquadramento do Microempreendedor Individual (MEI). A medida é uma das apostas do governo Lula, que busca a reeleição.
  10. Senadores estão avaliando também redução da jornada

    O fim da escala 6x1 está dominando as manchetes e as declarações de políticos, mas a proposta que os senadores estão discutindo hoje também prevê a redução da jornada de trabalho — das 44h atuais para 40h, sem redução de salário e com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.

  11. Randolfe critica mudança de posição de Flávio Bolsonaro sobre escala 6x1 e cita PEC de Rogério Marinho

    O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou acreditar que o fim da escala 6x1 será aprovado, inclusive com votos de parlamentares que antes se posicionavam contra a proposta, entre eles Flávio Bolsonaro.

    Randolfe criticou a ausência no plenário de Flávio e de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador do programa de governo do candidato à Presidência. Ele lembrou que ambos haviam criticado a proposta, classificando-a como eleitoreira.

    "Diz que é eleitoreiro, mas mudou de posição duas semanas antes da eleição", afirmou.

    Randolfe também disse que o grupo político tem intenção de avançar com a PEC 12, de autoria de Marinho, e que propõe um regime de trabalho flexível por horas e possibilidade de negociação individual entre patrões e empregados.

    "Em uma negociação entre patrão e empregado, o que prevalece?", questionou.

  12. Leany Lemos: 'Descanso não pode ser privilégio'

    Leany Lemos (PSB-DF) usou o plenário para ressaltar as desigualdades no mercado de trabalho.

    "Vivemos em um país de imensas desigualdades: desigualdades de renda, de oportunidades, de acesso a direitos e acesso a serviços, mas também temos uma profunda desigualdade na distribuição do tempo de trabalho e no tempo de descanso", afirmou.

    "São justamente aqueles que recebem menos e enfrentam dificuldades econômicas que vão suportar jornadas de descanso direto a descanso; o descanso não pode ser privilégio de determinadas profissões."

    A senadora também citou a dupla ou tripla jornada de trabalho das mulheres.

  13. Câmara também discute pauta econômica (e com interesse eleitoral)

    Em paralelo ao Senado, a Câmara dos Deputados está analisando agora um projeto que visa ampliar o limite de enquadramento do microempreendedor individual (MEI) — uma aposta do governo Lula, que busca a reeleição.

    Hoje, esse limite é de R$ 81 mil por ano. Pelo projeto, subiria para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

    Também foi juntada a essa proposta o perdão a dívidas de microempreendedores.

    O relator dessas pautas é o deputado federal Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

  14. Teresa Leitão: 'Trabalhador não deve abrir mão da vida para ganhar a vida'

    A senadora Teresa Leitão (PT-PE) também adiantou seu voto pelo fim da escala 6X1 e alertou para a necessidade de acompanhar os próximos passos da proposta para evitar que os direitos conquistados sejam retirados no futuro.

    "O voto de hoje não revela uma posição do amanhã. Por isso, chamo a atenção para o acompanhamento. Tão importante quanto conquistar novos direitos é impedir que, por outros caminhos, tentem retirar aquilo que o povo brasileiro levou tantos anos para conquistar", afirmou.

    "Que o dia de hoje seja lembrado como o dia em que nenhum trabalhador precise abrir mão da própria vida para ganhar a vida."

  15. Quaest: Flávio com 46% das intenções de voto e Lula com 44%

    As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) estão acompanhando de perto da votação do fim da escala 6x1 no Senado, já que pesquisas indicam que essa é uma pauta popular.

    Mas, em paralelo, estavam de olho também na pesquisa de intenção de voto da Quaest, que acabou de ser divulgada.

    Nela, Flávio aparece com 46% das intenções de voto, e Lula, com 44% — um empate técnico.

  16. Zenaide Maia: 'Defender a família não é fazer discurso bonito'

    A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) chamou a possível aprovação da PEC de "mudança civilizatória". "Um avanço humanitário, um passo de respeito a milhões de brasileiros", disse.

    "O Brasil precisa, sim, avançar. Os trabalhadores brasileiros merecem mais do que passar seis dias da semana trabalhando."

    Também citou as 10 milhões de mulheres brasileiras que são mães solos. "Defender a família não é apenas fazer um discurso bonito sobre ela, é garantir condições para que pais e mães estejam presentes na vida dos filhos e para que as pessoas possam cuidar umas das outras. Família precisa de sustento, sim, mas também precisa de presença".

    "Defender a família não tem partido", disse.

  17. Se aprovado, quando o fim da escala 6x1 passaria a valer?

    O Senado está discutindo agora a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que determina o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44h para 40h. Caso o projeto seja aprovado em dois turnos na Casa, ainda há um caminho para que a mudança na Constituição seja efetivada — incluindo uma nova sessão no Congresso.

    O texto prevê a implementação progressiva das mudanças na jornada. Entenda o passo a passo nessa reportagem.

  18. Humberto Costa: 'Flávio Bolsonaro faz discurso de duas caras sobre escala 6x1'

    Favorável ao fim da escala 6x1, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a aprovação da PEC representa uma "longa caminhada de afirmação do direito dos trabalhadores".

    Costa relembrou a história dos direitos trabalhistas no Brasil, marcada, segundo ele, pela herança da escravidão, e disse que conquistas como o décimo terceiro salário também foram recebidas com previsões de prejuízos econômicos que não se concretizaram.

    O senador também alertou para o risco de uma tentativa de reverter a proposta no Congresso, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidência do Brasil no dia 25 de outubro.

    "Flávio Bolsonaro está fazendo um discurso de duas caras. De um lado, ele diz que vai votar hoje pelo fim da escala 6x1. Do outro, fica dizendo a empresários que, se ganharem a eleição, ou mesmo se não ganharem, vão colocar para discutir e votar essa proposta de escala 7x0, que o trabalhador só faz trabalhar, trabalhar, trabalhar”, afirmou.

    "A extrema-direita vai tentar se valer de um eventual maioria no Cogresso Nacional a partir do ano que vem para tentar destruir essa proposta."

  19. Eliziane Gama: 'PL ficou encurralado e teve que dizer que era a favor da 6X1'

    A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) relembrou momentos da história do Brasil em que a ampliação de direitos trabalhistas foi acompanhada de previsões de prejuízos à economia.

    "A oposição ao atual governo tentou implantar que, mais uma vez, as empresas iam quebrar, mas foi vencida pela realidade e pela sociedade brasileira, que foi para a rua", afirmou.

    Ela também criticou o PL, partido de Flávio Bolsonaro, e questionou a ausência do senador no plenário. O candidato à Presidência anunciou que votaria a favor do fim da escala 6x1 depois de ter criticado a proposta.

    "O PL ficou encurralado, não teve saída e teve que dizer que era a favor da 6x1", disse Eliziane.

    "Embora a gente saiba que eles já avisam internamente que, caso ganhem a eleição, farão uma nova proposta para desconstrução dessa PEC", declarou.

  20. Como ficará o Senado em 2027

    O primeiro turno da eleição 2026 definiu os 54 novos senadores do Brasil — dois terços do total. O PL teve o maior número de eleitos, 19 ao todo, e passará a ter a maior bancada. Confira abaixo como ficará a composição da Casa a partir do próximo ano.