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Como foi a votação do Senado que aprovou fim da escala 6x1: veja repercussão

Maior mudança na jornada de trabalho desde 1988 é uma das maiores bandeiras da campanha de reeleição do presidente Lula (PT) e teve votação acelerada. Flávio Bolsonaro (PL) voltou atrás sobre projeto e votou a favor.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Expectativa é votar nos dois turnos hoje, segundo autor da proposta

    O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da proposta que prevê o fim da escala 6x1, disse à BBC News Brasil que a expectativa é votar a PEC nos dois turnos ainda hoje no Senado.

    A sessão, prevista para ter início às 14h, ainda não começou.

  2. Por que Flávio Bolsonaro voltou atrás sobre o fim da escala 6x1?

    O senador Flávio Bolsonaro anunciou ontem que votaria a favor do fim da jornada 6x1.

    Foi a primeira vez que ele se posicionou a favor da proposta. Até então, Flávio dizia que a proposta era "oportunista", por ser apresentada às vésperas das eleições.

    O senador também defende uma "jornada flexível", na qual, segundo ele, empregador e empregado chegariam a um consenso sobre as condições de trabalho. Mas segundo especialistas, a proposta que Flávio defende, baseada em um projeto apresentado pelo senador Rogerio Marinho (PL-RN), é incompatível com a CLT.

  3. Entenda o que está em jogo hoje

    • A sessão do Senado que deve votar o fim da escala 6x1 está marcada para ter início daqui a pouco, às 14h.
    • A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara dos Deputados por ampla maioria em maio.
    • Depois disso, seguiu para o Senado, onde recebeu parecer favorável da CCJ e cumpriu as cinco sessões obrigatórias de discussões no plenário.
    • Hoje, a proposta deve ser votada por todos os senadores.
    • Em tese, PEC deveria passar por mais três sessões de discussões para então ser votada novamente, em segundo turno.
    • Mas a líder do governo, senadora Teresa Leitão (PT-PE), anunciou um requerimento de calendário especial para acelerar a tramitação da proposta.
    • Se for aprovada, é possível que a PEC tenha os dois turnos de votação concluídos ainda hoje.
    • Para ser aprovada, precisa de ao menos 49 votos favoráveis.
  4. O país vizinho do Brasil onde se trabalha menos e ganha mais

    A Colômbia reduziu a jornada de trabalho de 48 para 42 horas semanais. Em 2025, o governo colombiano também aprovou um aumento de 23,7% no salário mínimo e turbinou ganhos dos trabalhadores ao ampliar o período considerado para pagamento de adicional noturno.

    Os resultados dividem opiniões de empresários, economistas e trabalhadores no país. "Não há dúvidas de que aumentaram os custos unitários por trabalhador na Colômbia", diz o economista Stefano Farné, em Bogotá. "Mas o que observamos é que não houve efeitos negativos sobre o mercado de trabalho. Além disso, o emprego assalariado do setor privado segue crescendo há muitos meses."

  5. Manifestações de rua podem mudar os rumos da eleição?

    Enquanto aguardamos o início da discussão sobre a escala 6x1, também vale a pena conferir esta reportagem da BBC News Brasil sobre as manifestações populares que antecedem o segundo turno das eleições presidenciais.

    Lula reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11/10). Também houve atos a favor do presidente em Copacabana, no Rio de Janeiro, e em outras dezenas de cidades do Brasil.

    Já Flavio Bolsonaro passou o mesmo dia em um almoço de campanha na capital paulista, e seus aliados confirmaram, para o próximo domingo (18/10), um ato em seu apoio, também na avenida Paulista.

    Especialistas concordam que é difícil transformar manifestações em votos, mas divergem sobre o efeito dos atos na abstenção.

  6. Fim da escala 6x1 vai prejudicar a economia?

    Experiências no Brasil e na Europa indicam que reduzir a jornada de trabalho não significa necessariamente frear o crescimento econômico. Desde a última redução da jornada no Brasil, em 1988, a produtividade do trabalho avançou 34,2%, segundo dados da FGV. De lá para cá, o limite semanal permaneceu em 44 horas.

    E em países como França, Portugal, Itália, Bélgica e Eslovênia, mudanças para jornadas menores foram acompanhadas por crescimento econômico e não provocaram efeitos significativos sobre o nível de emprego, segundo um estudo publicado em 2022.

    Mas há divergências entre economistas. Enquanto alguns apontam ganhos potenciais de produtividade, consumo e qualidade de vida, outros alertam para possíveis perdas no PIB, aumento do desemprego e dificuldades para setores que precisam manter o atendimento.

  7. Ex-ministro de FHC, Pedro Parente não declara voto, mas vê em Flávio risco de concentração de poder com vitória da direita no Congresso

    A PEC sobre o fim da escala 6x1 ainda não começou a ser debatida no Senado. A Casa iniciou a sessão desta quarta-feira (14/10) com discursos sobre o Dia do Médico e segue no tema.

    Enquanto isso, que tal conferir uma entrevista com ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da Petrobras e da BRF, Pedro Parente, sobre a eleição presidencial?

    Em conversa com a BBC News Brasil, ele afirmou que o resultado do primeiro turno mudou a equação do segundo e que, com uma maioria de direita eleita na Câmara e no Senado, cresceram os riscos de concentração de poder em caso de vitória de Flávio Bolsonaro.

  8. Lula x Flávio Bolsonaro no debate na Band: quando é e o que esperar

    A discussão sobre a escala 6x1 foi um dos assuntos tratados pelos candidatos à Presidência no único debate televisionado antes do 1º turno, realizado no final de agosto.

    Mas tudo indica que vamos ouvir falar mais do tema no primeiro debate previsto para o 2º turno.

    Marcado para domingo (18/10) na Band, ele deve contar com a presença de Lula e Flávio Bolsonaro - o senador afirmou nesta quarta-feira (14/10) que participará do debate, após dizer há alguns dias que não iria.

  9. Rick Azevedo: 'Tempo livre movimenta a economia'

    Aos 32 anos, o vereador e agora deputado federal eleito Rick Azevedo (PSOL) se tornou um dos principais rostos do debate sobre a jornada de trabalho no Brasil.

    Criador de uma petição com milhares de assinaturas e fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), ele puxou o debate sobre o fim da escala 6x1.

    Em fevereiro, ele conversou com a repórter Thais Carrança.

    Segundo ele, trabalhadores com mais tempo livre tendem a consumir mais, o que ajudaria a movimentar a economia. ASSISTA AQUI.

  10. Qual a posição do Brasil no ranking da produtividade?

    Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil ocupa apenas a 86ª posição entre as nações mais produtivas do mundo, considerando a produtividade por hora trabalhada.

    Mas isso não significa que os brasileiros trabalhem menos horas ou se esforcem menos do que os trabalhadores de economias avançadas.

    No ranking da OIT de média de horas trabalhadas por semana para 167 países, o Brasil ocupa a 93ª posição.

    Apesar da baixa posição também neste ranking, o país fica à frente de economias avançadas como EUA, França e Alemanha, e de vizinhos como Uruguai e Argentina.

  11. O que é produtividade e o que ela tem a ver com o fim da 6x1?

    Quando se fala sobre o possível fim da escala 6x1, uma palavra surge com frequência: produtividade. No vocabulário acadêmico, ela é usada para definir a quantidade de bens e serviços que um trabalhador gera, em média, na economia com o seu trabalho.

    Para muitos economistas, não existe economia industrializada de sucesso com uma produtividade muito baixa.

    A preocupação de alguns especialistas e empresários no momento é que, com menos horas trabalhadas semanalmente, a produtividade brasileira caia.

    Mas há também quem argumente que o fim da escala 6x1 pode ter o efeito contrário, elevando a qualidade de vida e, como consequência, a produtividade dos trabalhadores.

  12. Enquanto aguardamos a votação da 6x1..., Como andam as pesquisas eleitorais?

    Flávio Bolsonaro aparece três pontos à frente de Lula nas intenções de voto para presidente no segundo turno, segundo a atualização mais recente do Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

    O nosso gráfico interativo mostra a evolução da intenção de voto no segundo turno desde o início do ano, com base nos resultados de votos totais das pesquisas eleitorais.

  13. EUA tem 'escala 996': jornadas de 12 horas, 6 dias por semana

    Empresas de tecnologia nos Estados Unidos se tornaram exemplos típicos da corrente profissional conhecida como 996, também chamada de "cultura da hiperprodutividade".

    O sistema premia longas jornadas de trabalho, tipicamente das 9 da manhã às 9 horas da noite, seis dias por semana. Daí a denominação 996.

    "Procuramos pessoas que sejam como os atletas olímpicos, com características de obsessão, ambição infinita", diz Will Gao, chefe de crescimento da Rilla, uma empresa de tecnologia com 120 funcionários em Nova York.

    "São pessoas que querem fazer coisas incríveis e se divertem muito fazendo isso."

    Este tipo de horário se tornou popular no setor de tecnologia nos últimos anos, acompanhando a velocidade de desenvolvimento da IA.

    Como muito dinheiro está sendo investido na tecnologia, muitos donos de start-ups temem que concorrentes inovem mais rápido. Por isso, para eles, a velocidade é a essência do negócio.

    Como resultado, profissionais do setor de tecnologia nos EUA estão sob pressão de trabalhar mais, por mais tempo, para atingir resultados com maior rapidez.

  14. O que é necessário para a aprovação da PEC?

    A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala 6x1, está em discussão no plenário do Senado neste momento e deve ser votada em ainda nesta quinta-feira.

    A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, pediu que a discussão da proposta seja acelerada por meio de um dispositivo chamado "quebra de interstícios". Se a demanda for aceita, as votações em primeiro e segundo turno poderão acontecer em sequência.

    Em tese, isso permitiria que o dia se encerre com clareza sobre a aprovação ou não da PEC.

    Para que a proposta seja aprovada, pelo menos 49 dos 81 senadores (três quintos do total) precisam apoiá-la em cada turno.

    Caso os senadores aprovem nesses dois turnos e mantenham exatamente o mesmo texto aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional, passando a integrar a Constituição Federal.

    Por outro lado, se alguma mudança for aprovada, a PEC precisará retornar à Câmara dos Deputados para uma nova análise antes da promulgação.

    Caso seja aprovada, as mudanças serão feitas de forma gradual, conforme prevê a PEC. A implementação completa das mudanças só ocorrerá em 14 meses após a promulgação.

  15. Sessão aberta no Senado...

    ... mas o tema por enquanto é o Dia do Médico.

    Vamos aguardar.

  16. Fim da 6x1 colocaria Brasil 'em linha com grande parte do mundo ocidental', disse FT em maio

    O britânico Financial Times, frequentemente descrito como jornal financeiro mais influente do planeta, publicou reportagem em maio apontando que o Brasil tenta reduzir a jornada de trabalho de seis para cinco dias "enquanto alguns no Ocidente defendem uma semana de trabalho de quatro dias na era da inteligência artificial".

    "A medida colocaria o país em linha com grande parte do mundo ocidental, onde a semana de trabalho foi encurtada à medida que a maior produtividade e os salários mais altos possibilitaram mais tempo livre", apontou o jornal.

    Mas o FT também destacou a resistência contra a pauta.

    "Ela está longe de ter aprovação garantida em um legislativo cada vez mais hostil e dominado por conservadores que impuseram derrotas dolorosas a Lula recentemente", escreveu o diário britânico.

    "Os opositores afirmam que o plano pode prejudicar a economia, aumentando os custos para as empresas."

  17. CCJ do Senado aprova PEC da Segurança e texto vai ao plenário

    Também nesta quarta-feira (14/10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto segue agora para o plenário.

    A PEC é tida por analistas políticos como a principal aposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para dar uma resposta ao eleitorado em meio a dois fenômenos: uma crise de popularidade do petista; e a percepção de que a violência é a principal prioridade da população, segundo pesquisa mais recente publicada pela Quaest, na semana passada.

    Entre outras coisas, a proposta cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e o Sistema de Políticas Penais, com objetivo de integrar a atuação das forças de segurança no combate ao crime organizado. A PEC também estabelece regras mais rigorosas para integrantes e líderes de organizações criminosas, facções e milícias.

    A CCJ havia aprovado o texto-base da proposta em setembro, mas a sessão naquela data foi encerrada sem a análise de três trechos do texto da proposta em separado, os chamados destaques.

    Como os senadores que propuseram as alterações não estavam presentes na sessão da comissão nesta quarta, os destaques foram considerados prejudicados sem terem sido lidos ou votados, e o texto final foi enviado ao plenário.

  18. PEC pode em tese ter dois turnos votados ainda hoje

    A quarta das cinco discussões inicialmente previstas sobre o fim da escala 6x1 foi concluída ontem, segunda-feira (13) no Senado.

    A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, pediu que a discussão da proposta seja acelerada por meio de um dispositivo chamado "quebra de interstícios".

    Se a demanda for aceita, as votações em primeiro e segundo turno poderão acontecer em sequência.

    Em tese, isso permitiria que o dia se encerre com clareza sobre a aprovação ou não da Proposta de Emenda Constitucional.

    Pelo menos 49 dos 81 senadores (três quintos do total) precisam apoiar a proposta em cada turno para que ela seja aprovada. .

  19. As últimas de Lula e Flavio Bolsonaro sobre o tema

    O presidente Lula estará em Brasília durante a possível votação desta tarde.

    Com o fim da escala 6x1 entre as principais prioridades em sua campanha de reeleição, o presidente estaria avaliando com aliados uma visita ao plenário do Senado para reforçar seu apoio à pauta.

    Já o senador Flavio Bolsonaro deve estar em Porto Alegre (a sessão será semipresencial, o que permite aos senadores votar remotamente).

    Na tarde de ontem, ele deu sua declaração mais contundente em relação ao tema.

    "O Flávio Bolsonaro vai votar a favor do fim da 6x1 e quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados, então o governo que vai ter que bancar essa compensação", disse.

    "Então isso tudo a gente está pesando, mas de novo, o meu voto vai ser de acordo com a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro", completou.

  20. O país que silenciosamente vem reduzindo a jornada de trabalho para quatro dias por semana

    Os holandeses adotaram discretamente a jornada de trabalho de quatro dias por semana. Mas qual foi o impacto da medida e como fazê-la perdurar?

    "Seus filhos só são pequenos uma vez", diz Gavin Arm, que fundou com um sócio a pequena empresa de consultoria Positivity Branding, com sede em Amsterdã. Há sete anos, eles adotaram a semana de quatro dias para si e para os funcionários.

    Os empregados não precisaram aceitar redução salarial nem trabalhar mais horas nos quatro dias. A carga horária semanal permanece em 32 horas, ou oito horas por dia.

    "O equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho esteve no centro da decisão", afirma Bert de Wit, sócio de Arm. Ele discorda da ideia de que os funcionários agora trabalham menos pelo mesmo salário. "Trata-se de trabalhar de forma mais inteligente, não mais intensa."

    A jornada de quatro dias por semana já se tornou comum na Holanda há vários anos, com a adesão inclusive de grandes empresas.

    O maior sindicato do país, Netherlands Trade Union Confederation (FNV, na sigla em holandês), continua a pressionar o governo holandês para que a medida se torne uma recomendação oficial. De todo modo, os trabalhadores já têm o direito legal de solicitar redução de jornada.

    "Gostamos de ter tempo para liberar a mente. Tenho minhas melhores ideias quando passeio com o meu cachorro", diz Marieke Pepers, diretora de gestão de pessoas da empresa holandesa de software Nmbrs.

    Ela tira a sexta-feira de folga toda semana. "Ninguém espera nada de mim nesse dia, eu me inspiro, fico melhor e a empresa também."