Flávio Bolsonaro é alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme Dark Horse junto ao Banco Master.
O senador negociou diretamente com o então banqueiro Daniel Vorcaro um contrato de cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cerca de metade do valor foi de fato pago, segundo a PF, até que os desembolsos foram interrompidos com a liquidação do Master em novembro de 2025, após o Banco Central detectar fraudes bilionárias.
A suspeita da PF é que parte dos recursos repassados tenha sido desviada para outra finalidade. Até o momento, a produtora do filme não detalhou como os quase R$ 70 milhões recebidos foram gastos.
O dinheiro não foi diretamente para a produtora, mas para um fundo imobiliário nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, amigo de Eduardo Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro nega qualquer ilegalidade. "Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida", afirmou na sexta-feira (15/10), durante sabatina da TV Globo.
Os contatos do senador com Vorcaro começaram no final de 2024 e se estenderam até mesmo após sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025. O senador chegou a encontrar o banqueiro em dezembro daquele ano, em sua casa, quando ele estava em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica.
Segundo Flávio, o encontro serviu apenas para encerrar a relação e o financiamento do filme.
Vorcaro foi preso novamente em março. Ele é suspeito de liderar fraudes bilionárias à frente do banco, que envolveram depósitos de grandes fundos de pensão de servidores estaduais e municipais.
Um deles foi o Rioprevidência, dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, na época governado pelo aliado de Flávio, Cláudio Castro (PL). O fundo aplicou R$ 3,69 bilhões no Master e amarga prejuízos com a operação.
O inquérito que investiga Flávio pelo filme Dark Horse tramita no gabinete do ministro do STF André Mendonça.