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Debate na Globo: Lula e Flávio trocam ataques sobre Vorcaro e acusações de corrupção; veja como foi

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Cobertura ao Vivo

Por Iara Diniz, Marina Rossi, Vitor Tavares, Mariana Alvim e Vinícius Mendes, da BBC News Brasil em São Paulo, e Leandro Prazeres, da BBC News Brasil em Brasília

  1. 4° bloco começa com direito de resposta

    No início do quarto bloco, foi concedido 1 direito de resposta a Flávio, que pediu três direitos de reposta.Ele fala às mulheres e empreendedoras.

    "No meu plano de governo eu vou monitorar marginal que agride a mulher", diz.

    Ele afirma que criará mais Casas da mulher Brasileira.

  2. Como vai funcionar o 4° bloco

    O bloco final será de tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções.

    Neste bloco, os candidatos podem andar livremente pelo palco, mas respeitando o espaço um do outro.

  3. Debate está de volta

    O quarto e último bloco do debate na Globo vai começar.

  4. Relação com Adriano da Nóbrega, capitão expulso da PM, do Rio, motiva acusações de vínculo entre Flávio e milícias

    Lula encerrou o terceiro bloco do debate da TV Globo realçando as denúncias de vínculos entre Flávio Bolsonaro e milícias do Rio de Janeiro, seu reduto eleitoral.

    Flávio enfrenta há anos acusações de vínculos com milicianos, após empregar em seu antigo gabinete de deputado estadual no Rio de Janeiro parentes de Adriano da Nóbrega — capitão expulso da Polícia Militar em 2014 por envolvimento com o jogo do bicho e que, depois, foi acusado de atuar como miliciano e chefiar o Escritório do Crime, especializado em assassinatos por encomenda.

    Sua mãe, Raimunda Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa, trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), até serem exoneradas em 2018, quando o escândalo da "rachadinha" veio à tona.

    Elas são suspeitas de terem participado de um esquema em que pessoas contratadas para atuar no gabinete atuariam como funcionários fantasmas e devolveriam parte dos seus salários a Flávio Bolsonaro.

    No caso mais recente ligando o senador a milícias, o jornal Estado de S. Paulo revelou em setembro que o gabinete do senador enviou, em 2024, emenda parlamentar no valor de R$ 199 mil para um suposto projeto esportivo no Rio de Janeiro após pedido do miliciano Robson Calixto, conhecido como "Peixe", que foi condenado em fevereiro no STF por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

    O que pesa contra Flávio nesse caso? Leia aqui.

  5. Debate vai para o intervalo

    Acaba o terceiro bloco e o debate vai para o intervalo.

  6. Lula diz que Flávio Bolsonaro quer entregar segurança do Brasil a Trump

    "Todo mundo sabe a relação dele com muita coisa ruim aqui no Rio de Janeiro", começou falando Lula na sua tréplica.

    O presidente mencionou um discurso de Flávio Bolsonaro condecorando um miliciano na Alerj e diz que a mãe da vereadora Marielle Franco está na plateia. Marielle foi assassinada por ex-policiais apontados de terem ligação com milícia.

    Depois, Lula acusou Flávio de "querer entregar pro Trump" as questões de segurança.

    Lula disse que resolveria questões de retomada de território com a criação do ministério da Segurança Pública. "Pro trabalhador, segurança; pro bandido, cadeia", disse Lula.

  7. Analista vê semelhança entre Lula e Biden em debate, mas minimiza impacto

    O cientista político Eduardo José Grin, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), comparou a dificuldade de Lula de seguir as regras e contagem de tempo do debate da TV Globo com a performance do ex-presidente Joe Biden durante um debate na disputa à presidência dos Estados Unidos, em 2024. Na ocasião, Biden foi criticado por ter demonstrado demora e confusão nas respostas. A performance foi vinculada à sua idade. Após o episódio, ele desistiu de disputar o cargo.

    Ao longo dos três primeiros blocos, Lula deixou de utilizar seu tempo em algumas ocasiões e reclamou do tema sobre a pergunta a respeito de educação que havia sido anteriormente acordada.

    “É ruim. Passa um pouco do efeito Biden. Mas não acho que isso seja importante para o eleitor”, diz Grin.

    A cientista política Denilde Holzhacker avalia de forma parecida.

    “Desde o primeiro bloco, Lula não só não entendeu a dinâmica, como não consegue controlar o tempo em várias situações. Isso pode prejudicá-lo na percepção do eleitor indeciso. É estranho que a equipe não tenha alertado nos intervalos. Mas a falta de paciência de Flávio também não o ajuda. Pode passar uma percepção de arrogância”, disse.

  8. Flávio pede desculpas a Ana Clara, dirigindo-se à mãe da menina, que está na plateia

    Flávio diz que não consegue imaginar o que é perder uma filha de 5 anos de idade. Ele diz que quer pedir desculpas a "Ana Clara", no entanto, quem está na plateia é a mãe da garota, Cristiane Gomes da Silva.

    Ele diz que na ocasião havia troca de tiros e ele acredita na inocência do policial militar que ele defendeu.

    Flávio Bolsonaro atuou como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava na porta de casa, em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021.

    O Ministério Público do Rio acusa o policial de assumir o risco de matar ao disparar em uma área residencial.

    A defesa alegou que houve confronto com criminosos. Flávio integrou a equipe que tentou reverter a decisão de levar o acusado ao Tribunal do Júri, em recurso rejeitado pelo STJ em 2024.

    O policial ainda não foi julgado.

    O caso foi explorado pela campanha de Lula e apareceu no debate da Band. Flávio defendeu o exercício da advocacia e afirmou que o adversário tratava o policial como culpado antes do julgamento.

    André Janones também mobilizou seguidores do canal Exército do Lula para pesquisar “Flávio Ana Clara” no Google durante o debate da Band, buscando colocar o assunto nas tendências exibidas pela emissora. Sites de notícias, como o Poder 360, confirmaram, naquele dia, que termos negativos associados a Flávio apareceram entre os mais pesquisados.

  9. As brechas que levaram à propagação das bets

    Os candidatos trocaram há pouco acusações sobre a responsabilidade dos governos de Jair Bolsonaro e Lula na expansão do "jogo do tigrinho" e das bets.

    Em dezembro de 2018, no apagar das luzes do governo de Michel Temer, foram aprovadas as chamadas apostas de quota fixa, abrindo espaço para as bets e aplicativos online como o famoso jogo do tigrinho.

    Segundo explicou à BBC o advogado Pedro Ramunno, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, as apostas de quota fixa foram "encaixadas juridicamente como modalidade lotérica, portanto como serviço público da União, mas explorado por empresas privadas em regime de concorrência".

    A lei deu dois anos, prorrogáveis por mais dois, para o Ministério da Fazenda regulamentar. O prazo venceu no fim de 2022, no fim do governo de Jair Bolsonaro, sem regulamentação.

    Foi então que se abriu o limbo.

    "A atividade estava autorizada por lei, mas não havia regra nenhuma", afirma Ramunno.

    "As empresas, quase todas sediadas em Curaçao, Malta e outros paraísos regulatórios, entraram no mercado brasileiro pela internet. Não pagavam imposto no Brasil, não tinham que identificar o apostador e não seguiam nenhuma regra de publicidade. Só em dezembro de 2023, com a Lei 14.790, o setor ganhou, de fato, um marco regulatório."

    Só em 2023, já no governo Lula, veio a regulamentação. De lá para cá, uma série de ajustes e dispositivos foram implementados buscando coibir os problemas financeiros e de saúde desencadeados pela compulsão — até chegar à véspera do segundo turno, quando Lula proibiu as bets através de medida provisória.

    A lei de 2023, além das apostas esportivas, incluiu os chamados "jogos online".

    "Em outras palavras, caça-níquel, roleta, os crash games, o tigrinho. Então, na prática, o Brasil legalizou o cassino online e manteve proibido o cassino físico, feito de tijolo e cimento", diz Ramunno.

    "E qual a diferença para as loterias? Na loteria clássica, o prêmio sai do rateio do que foi arrecadado, o organizador é o Estado e o apostador joga uma ou duas vezes por semana. Na quota fixa, o valor do prêmio fica definido no momento da aposta", compara.

    "A casa aposta contra o apostador, o operador é privado, o produto está no celular 24 horas por dia, com jogos acontecendo no mundo inteiro a todo minuto. Juridicamente, as duas coisas estão sob o mesmo guarda-chuva de modalidade lotérica. Na prática, são produtos completamente diferentes, inclusive no potencial de causar dependência."

  10. Congelamento de dívida funciona? Especialistas apontam que solução para endividamento passa por juros e contas públicas

    O endividamento das famílias voltou a ser utilizado por Flávio Bolsonaro para criticar o governo Lula na metade do segundo bloco. Ele refez sua proposta de comprar as dívidas de pessoas inadimplentes e refinanciá-las pela Caixa com melhores condições.

    O petista respondeu que, na verdade, o Desenrola, lançado em seu mandato atual, já funciona exatamente assim.

    O percentual de famílias endividadas recuou para 81,7% em setembro, na primeira queda do indicador no ano, após sucessivos recordes, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

    Lula propõe manter a política de valorização real do salário mínimo e a inflação sob controle. Flávio Bolsonaro, por sua vez, propõe responder à questão do custo de vida reduzindo imposto sobre o consumo.

    O economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, produziu um relatório recente mostrando que o eleitor chegou às urnas com poder de compra acima das eleições de 2022, mas ainda abaixo do pré-pandemia.

    O salário mínimo em setembro deste ano (R$ 1.621) comprava 1,76 cesta básica, ante 1,61 em igual mês de 2022, e mais 2 ao longo de 2019, último ano antes da emergência da covid-19. O maior valor da série foram 2,28 cestas básicas em março de 2012, considerando o valor da cesta de São Paulo, em série do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

    Para Bruno Imaizumi, as propostas dos candidatos não tocam em agendas de longo prazo. Ele avalia que reduzir o custo de vida, em uma economia ainda muito dolarizada como a brasileira, exigiria valorizar a moeda nacional, o que, na sua visão, só seria possível com reformas estruturantes.

    "Ficamos muito mal acostumados a discutir uma única grande reforma por mandato. E essa reforma, geralmente, vem muito desidratada", afirma. "Por isso a relação entre os Três Poderes é tão importante, porque nos falta discutir os problemas estruturais", diz ele à BBC News Brasil.

    Com relação ao endividamento, Imaizumi também avalia que as propostas dos dois lados são paliativas, e que uma solução de longo prazo exige reduzir os juros no país, o que só será possível com o reequilíbrio das contas públicas.

    A BBC News Brasil abordou esses dilemas econômicos nesta reportagem.

  11. Lula cita caso de menina Ana Clara e pergunta por que Flávio defendeu policial

    Lula mencionou a mãe de Ana Clara, que está na plateia. A menina foi atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava na porta de casa, em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021. O policial militar Bruno Dias Delaroli é acusado de matá-la e foi defendido por Flávio Bolsonaro.

    “Ela, eu e o Brasil inteiro gostaríamos de saber: o que leva um senador da República a defender um policial assassino que deu um tiro em uma criança de 5 anos?”, perguntou o presidente.

    O policial ainda não foi julgado. Flávio integrou sua defesa e assinou um recurso para tentar reverter a decisão que determinou que ele fosse levado a júri popular. O recurso foi rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

  12. Bets: O papel dos governos Temer, Bolsonaro e Lula no mercado de apostas

    Embora o assunto esteja no centro do debate hoje, a discussão sobre a legalização e regulamentação das bets atravessa três governos.

    Em 12 de dezembro de 2018, no fim do governo de Michel Temer (MDB), o presidente sancionou a Lei nº 13.756/2018, que criou a modalidade lotérica de "quota fixa", sistema no qual o apostador sabe exatamente quanto vai receber se acertar o palpite.

    Em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), o Ministério da Economia, sob Paulo Guedes, abriu consulta pública com uma minuta de decreto que regulamentava a modalidade.

    Antes de deixar a presidência, no fim de 2022, Bolsonaro deixou um decreto de regulamentação da lei sancionada por Temer em 2018, mas não o publicou.

    Enquanto não houvesse regulamentação, as bets operariam sem fiscalização e sem pagar impostos. Ou seja: ficaram assim por 7 anos, até 2023.

    Em 29 de dezembro de 2023, no fim do primeiro ano do governo Lula, o presidente sancionou a Lei 14.790/2023, conhecida como Lei das Bets.

    Lula vetou alguns pontos, mas a nova legislação abrangeu as apostas esportivas em eventos reais e os jogos online de quota fixa, como os cassinos virtuais tipo "Tigrinho".

    Em setembro deste ano, Lula deu um passou atrás e anunciou uma medida provisória para proibir as plataformas de apostas online no Brasil, as chamadas bets.

  13. Flávio pergunta a Lula sobre segurança pública

    Flávio escolhe o tema "retomada de territórios" para perguntar a Lula.

    Ele diz que Lula é a favor das "saidinhas", quando presidiários com bom comportamento podem sair em determinados feriados e depois voltarem à prisão.

    "Por que você coloca o interesse das vítimas na frente dos bandidos?", pergunta Flávio.

  14. Flávio promete auxílio-creche e diz que vai manter Pé-de-Meia

    Flávio Bolsonaro afirmou que pretende manter o programa Pé-de-Meia, voltado a estudantes do ensino médio, e atribuiu ao governo de seu pai, Jair Bolsonaro, o maior reajuste salarial concedido a professores.

    O senador também prometeu oferecer auxílio-creche a mães que não encontrarem vagas na rede pública, para que possam matricular os filhos em instituições privadas.

    Ele disse ainda que pretende ampliar o ensino em tempo integral e mencionou parcerias entre empresas e estudantes.

  15. Lula diz que todas as escolas serão de tempo integral em seu próximo mandato

    Lula diz que implementará 100% de escola em tempo integral no Brasil até o Ensino Médio em seu próximo mandato, se for reeleito.

    "Nós não queremos que nenhum jovem desista da escola", diz Lula.

  16. 'Seu pai é o pai do tigrinho, e você é o irmão', acusa Lula

    O presidente Lula acusa Jair Bolsonaro de ter "criado" o jogo online do Tigrinho. "Seu pai é o pai do tigrinho, e você é o irmão", disse Lula

  17. Flávio responde com nova pergunta

    Vou fazer o que você não fez: zerou o orçamento do ensino integral e maquiou isso.

    Flávio ainda acusou Flávio de ser o pai do "Tigrinho", se referindo às apostas online.

    "Ele criou, ele liberou e, quando chega perto das eleições, ele cancela", afirmou.

    Em resposta, Flávio pergunta: por que você cortou dinheiro do ensino integral?

  18. 'Sabemos que o mundo do trabalho mudou', diz Lula

    Na sua resposta, Lula mencionou o programa Desenrola, para negociar dívidas dos brasileiros e proposta de comprar as dívidas dos bancos, para tirar as pessoas do Serasa.

    "Queremos que a economia seja reativada", disse Lula.

    O presidente disse que quer apoiar o empreendedorismo. "Sabemos que o mundo do trabalho mudou", falou Lula.

    O presidente também menciona o anúncio do perdão das dívidas dos MEIs.

    O presidente também disse que acabou com as BETs, porque estava consumindo o dinheiro das pessoas e levando pessoas a tentarem se suicidar.

  19. Lula pergunta sobre ensino integral

    Lula escolhe o tema "Ensino Integral", mas diz que falará sobre "educação".

    "O que você vai fazer com a escola de esnino integral neste país?"

  20. Desenrola resolve as dívidas das famílias? Geográfo diz que programa é efetivo, mas cria "cultura de renegociação"

    O programa Desenrola, do governo de Lula, foi objeto de discussão entre Flávio e o petista no começo do terceiro bloco. O senador afirmou que as famílias estão endividadas e prometeu criar mecanismos para ajudá-las a renegociar, que o presidente respondeu já existir.

    O investimento em programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, que teve uma nova fase lançada neste ano, mostra que o governo brasileiro está atento aos problemas da população e funciona como uma injeção de renda para permitir a volta ao consumo, afirmou o geógrafo Kauê Lopes dos Santos à BBC News Brasil em abril.

    Ele estuda a cultura da compra parcelada nas periferias de São Paulo.

    Por outro lado, diz o professor da Universidade de Campinas (Unicamp), o Desenrola pode criar uma cultura de renegociação de débitos que não resolve o problema estrutural causado pelo consumo via crédito no Brasil.

    "Essas iniciativas são importantes, porque mostram que o governo está atento aos problemas da sociedade e não simplesmente agindo como se essa fosse uma questão apenas entre a população e os bancos ou redes de varejo", diz Lopes dos Santos, autor do livro Parcelado (Editora Fósforo).

    "Mas, como muitas políticas públicas, tem um impacto de curto e médio prazo", diz ele.

    Segundo o pesquisador, programas como o Desenrola tendem a criar uma cultura de renegociação que podem "complexificar o jogo". "Pode criar uma lógica de resolver sempre no curto prazo, sem buscar entender as questões mais estruturais".